Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 09/08/2020

O sensacionalismo da mídia brasileira frente a casos de violência, e a superexposição do sofrimento alheio, transformaram a mídia Brasileira em um grande espetáculo. Os programas policiais e os jornais em horário nobre, noticiam constantemente casos de violência, porém esse não é o problema, o que deve ser debatido é a transfiguração da notícia em um espetáculo. Em suma, a superexposição dos casos de violência, a exploração do sofrimento alheio, e a busca pela instantaneidade, transformaram a mídia nacional em um instrumento de banalização da vida humana

Primeiramente, grande parte dos principais veículos midiáticos Brasileiros veem nos casos de violência uma forma de alavancar a audiência, uma vez que esse tipo de notícia tem enorme capacidade de chamar e prender a atenção do público. Contudo, a exibição constante e massiva de casos de violência, em horário nobre, cria uma sensação de normalidade, de banalização da violência. Além disso, a exploração do sofrimento familiar da vítima é recorrente na mídia nacional, e pode ser evidenciado pelo caso ocorrido no programa Cidade Alerta (Record) em 17 de fevereiro de 2020, onde o apresentador, em entrevista com a mãe de uma garota desaparecida, informa à mulher, ao vivo, que sua filha foi assassinada.

Além da excessiva exploração  de casos de violência, muitos veículos, em busca da notícia em primeira mão, se esquecem da responsabilidade da mídia quanto a informação noticiada. Não é incomum que que ocorram equívocos nas informações noticiadas, porém, alguns equívocos, podem colocar em risco a integridade física de terceiros. Em um caso ocorrido em 2 de agosto de 2020, durante uma reportagem a respeito de uma caso de pedofilia, na Record, foi exibida a foto de uma perfil falso do suspeito que utilizava a imagem de um youtuber, porém a reportagem deu a entender que a pessoa da foto (o youtuber) era o suspeito de pedofilia.

É papel dos veículos de mídia compreender a sua responsabilidade social à respeita das notícias veiculadas, e do impacto direto ou indireto que essas informações causam nos telespectadores. Contudo, o poder transformador parte da sociedade, e da pressão que pode ser feita, com intermédio da redes sociais ou de boicotes, sobre os veículos de comunicação, a fim de, gradativamente, desestimular a exploração do sofrimento alheio e a espetacularização da violência.