Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 10/08/2020
De acordo com o filósofo Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, há, na sociedade contemporânea, uma espetacularização da vida. Sendo assim, os cidadãos tornam-se plateia passiva e as grandes questões sociais, por sua vez, imagens a serem consumidas. Nesse contexto, a violência transforma-se em um mero produto a ser vendido pela mídia e pelos grandes programas televisivos. No entanto, muitas são as consequências por trás da espetacularização da violência, como a banalização da vida e o desrespeito aos direitos humanos. Dessa forma, é de fundamental importância que medidas sejam tomadas a fim de reduzir os impactos causados por tal fenômeno.
Em primeiro lugar, uma das consequências decorrentes da sociedade do espetáculo é a transformação da violência em uma mercadoria. Assim, conforme o conceito de Indústria Cultural, desenvolvido pelos sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, a produção cultural deixa de assumir um papel essencialmente artístico para se encaixar nos moldes do capitalismo. O mesmo acontece com a mídia que, cada vez mais, se utiliza do sensacionalismo para conseguir audiência. Porém, muitas vezes, os limites entre a informação e a banalização da vida são ultrapassados.
Além disso, a superexposição e a invasão de privacidade das vítimas, presente em certas notícias, também faz parte do cotidiano da sociedade de espetáculo. Se por um lado a superexposição desrespeita certos direitos, como o direito à privacidade, garantido pela Constituição Federal, por outro estimula a violência e a exaltação de criminosos. Segundo pesquisas realizadas pela Universidade de Iowa, a violência exibida pela mídia afeta o comportamento das pessoas, podendo deixá-las mais agressivas. Ademais, a espetacularização da violência pode levar ao enaltecimento de certos crimes, como acontece com o massacre de Columbine, que chegou até a inspirar crimes semelhantes.
Logo, é essencial que medidas sejam tomadas a fim de evitar que a violência continue sendo espetacularizada. Para isso, o Ministério da Propaganda, em conjunto com o poder legislativo, deve estabelecer limites para a divulgação de notícias violentas, por meio da criação de leis que impeçam o sensacionalismo nos programas policiais, a fim de preservar a privacidade das vítimas e impedir a banalização da violência. As instituições de ensino, por sua vez, devem ser responsáveis pela formação de indivíduos críticos e que saibam pensar por conta própria, evitando assim que sejam manipulados pela mídia, Para isso, devem ser incluídos na grade curricular aulas e debates sobre atualidades, objetivando desenvolver o senso crítico dos alunos por meio da análise de reportagens sensacionalistas. Somente assim será possível contornar os efeitos da espetacularização da violência no país.