Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/08/2020

A espetacularização da violência é um fenômeno antigo analisado, por exemplo, no Império Romano, onde gladiadores eram obrigados a lutarem até a morte, enquanto o público aplaudia e delirava com as cenas de horrores no Coliseu. Entretanto, esse comportamento ainda não foi abandonado na contemporaneidade, mas reformulado e veiculado de forma mascarada pela Mídia. No Brasil, as consequências geradas por essa postura midiática são reforçadas por uma cultura sensacionalista e a naturalização da violência pela própria população.

Primeiramente, é imperioso salientar que a cultura midiática brasileira é demasiadamente sensacionalista. Ademais, com o intuito de captar recursos financeiros e público a imprensa potencializa e reverbera notícias de violência, por causar mais impacto e comoção na população. Guy Debord, pensador francês, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo” faz alusão a tal manifestação e, ao relacionar com o contexto brasileiro, isso pode gerar comportamentos agressivos, reforçar preconceitos e criar uma noção estereotipada de sociedade problemática.

Concomitantemente, a naturalização da violência pelo indivíduo estimula a Mídia a banalizar a violência. Outrossim, o excesso de informações e narrativas impactantes, fomentadas pela imprensa, levam o indivíduo a enxergar absurdos sociais como acontecimentos cotidianos. Logo, depressão, medo, sensação de insegurança e injustiça são consequências que podem surgir, mesmo sem a percepção da própria pessoa. Esse fenômeno pode ser associado à ‘‘Banalidade do Mal’’, expressão da filósofa alemã Hannah Arendt, pois percebe-se que o indivíduo banaliza o absurdo, a violência e, consequentemente, a vida humana.

Portanto, para a superação desse quadro é necessário adotar novos paradigmas e cabe à sociedade brasileira exigir uma postura mais ética, democrática e responsável pela Mídia nacional ao disseminar informações. Isso pode ser realizado por meio de abaixo assinado, como os feitos de forma eletrônica ou por Organizações Sociais de forma física, responder pesquisas de satisfação, enviar e-mails para a emissora, jornais ou revistas ou, até mesmo, realizar boicotes às mídias dissidentes, como não comprar  os produtos veiculados por essa. Ademais, essas ações visam reformular os parâmetros midiáticos na programação e propagação de informações e notícias sejam na TV, Rádio ou Internet. Assim, além de fomentar uma cultura mais crítica e ética na sociedade em geral, o próprio indivíduo será estimulado a abandonar a postura de mero espectador de horrores, como visto no Coliseu da Roma Antiga.