Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/08/2020
Nas imediações do Império Romano, era de praxe que os cidadãos de Roma fossem ao Coliseu presenciar o duelo entre gladiadores que lutavam até a morte. Nesse aspecto, observa-se que a espetacularização da violência transformou-se em um hábito humano, tornando-se um problema expressivo ao se apresentar, hodiernamente, através da mídia que expõe a violência como forma de entretenimento. Desse modo, deve-se discutir acerca do déficit educacional e insuficiência legislativa com relação ao eixo problemático.
Nesse contexto, é visível que a falta de abordagem educacional a conteúdos que ajudem a compreender a função midiática no meio social, leva a mídia a ter liberdade de publicar materiais que rompem com a ideia de vida privada, gerando-se um espetáculo da vida civíl. Nessa lógica, para Sêneca - ilustre advogado do Império Romano - “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. Sob esse prisma, percebe-se que o cenário educacional brasileiro falha ao abordar conteúdos de valor vitalício em função da preferência dos órgãos competentes de se valorizar conteúdos técnicos que contribuem para o desenvolvimento capital, mas impede a formação moral dos indivíduos. Dessa maneira é visível a contradição do âmbito educacional brasileiro com relação ao ideário de Sêneca.
Outrossim, nota-se que inúmeras abordagens midiáticas ocorrem de forma criminosa, corroborando com a ruptura constitucional que garante aos cidadãos brasileiros a honra e a imagem das pessoas. Nessa lógica, conforme afirmava Montesquieu, " quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas". Nessa perspectiva, nota-se que o Poder Legislativo falha ao executar leis já criadas, o que gera tranquilidade aos infratores pela improbabilidade de punição. Diante disso, é evidente a necessidade de se reparar o rombo na legislação brasileira para que o idealismo de efetivar as leis, previsto por Montesquieu, se execute.
Portanto, é substancial a tomada de medidas para conter a exposição da violência pela mídia como forma de entretenimento. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas - maior formadora da moral humana - inserir conteúdos na Base Nacional Comum Curricular, por meio de debates com profissionais do ramo jurídico, que visem transmitir aos alunos da educação básica os ideais previstos na Carta Magna, para que estes estudantes tenham conhecimento de quando viola-se os direitos constitucionais. Dessa forma, o hábito de se espetacularizar a violência, presente na sociedade desde o período da Roma Antiga, será erradicado.