Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/08/2020
Em uma das cenas do filme francês “Uma agente muito louca”, a tropa de elite francesa (RAID) tem uma de suas missões prejudicadas devido à corrida jornalística de noticiação dos fatos. Analogamente, percebe-se que a realidade do Brasil não se difere da ficção, uma vez que, para suprir os anseios midiáticos, a violência torna-se um espetáculo habitual no país. Nesse âmbito, inúmeras consequências, como a banalização da vida e a manipulação dos espectadores, são acarretadas.
Em primeira análise, pode-se inferir que a contínua exposição a uma determinada situação provoca a adaptação. Sob esse viés, o físico alemão Albert Einstein afirmava que “tornou-se aparentemente óbvio que nossa tecnologia excedeu nossa humanidade”, ou seja, que os meios digitais são barreiras à empatia. Assim, conforme a mídia busca e potencializa a curiosidade da audiência, a população acostuma-se a assistir atos perversos, que, majoritariamente, culminam em mortes. Consequentemente, o óbito impetuoso passa a ser visto com neutralidade e como uma adição às estatísticas, resultando na banalização da vida.
Ademais, na ânsia por atingir um grande público, a mídia usualmente potencializa o uso de artimanhas sensacionalistas. Nesse sentido, o linguista Noam Chomsky declarava que “a imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica”, isto é, que alguns meios são capazes de atingir profundamente as pessoas, uma vez que buscam inibir o pensamento crítico. Dessa forma, recursos, como a alteração de dados numéricos, fontes falsas e manchetes enganosas, são utilizados para manipular e atrair a atenção da audiência, aumentando o lucro da empresa.
Portanto, percebe-se que essa problemática deve ser modificada. Para tanto, é imprescindível que a mídia, como principal culpada, passe a mudar de postura e a promover empatia, por meio do debate sobre os fatos noticiados, restrição de cenas muito violentas e reforço da informação de vidas estão “em jogo”, a fim de que a população volte a entender que a violência não é um espetáculo, mas sim um problema social grave.
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