Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/08/2020

A espetacularização da violência pela mídia brasileira tem produzido efeitos nocivos à sociedade. A disseminação de imagens das vítimas ou dos infratores pode trazer resoluções violentas como forma de justiça pela própria comunidade, como também estimular que outros indivíduos façam o mesmo. Além disso, ver a tragédia alheia tratada dramaticamente corrobora com a banalização da violência.

Em primeiro lugar, divulgar informações e fotos do suspeito é mais preocupante quando o suposto infrator ainda não foi julgado e condenado, segundo o princípio da presunção de inocência, podendo instigar discursos de ódio e repúdio ao acusado, como quando uma página no Facebook divulgou o retrato falado de uma sequestradora de crianças em Guarujá, São Paulo, e os moradores lincharam uma dona de casa parecida com a da imagem, no entanto, inocente.

Dessa forma, a divulgação excessiva e dramática, seja em telejornais ou meios de comunicação digitais, expondo de maneira indevida famílias e indivíduos envolvidos é, também, violação do direito de imagem e proteção à honra, segundo o Código Civil Nacional. Em noticiários policiais, por exemplo, fazem disso uma performance, não só relatando o acontecimento, mas explorando cada espaço possível, banalizando não só a violência, mas também a vida.

Haja vista que a mídia ultrapassa os limites colocados pela lei na Constituição, o Ministério Público Federal juntamente com a Procuradoria Regional de Comunicação deve fiscalizar os meios de comunicação, garantindo o cumprimento da regulação em vigor. O Intervozes lançou uma campanha chamada “Mídia Sem Violação de Direitos”, para receber e encaminhar denúncias de violação dos direitos humanos no jornalismo. A população também pode impulsionar uma mudança nesse cenário, pois a denúncia é fundamental.