Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/08/2020

A exposição da violência é algo comum na vida de milhares de brasileiros. É notável a crescente onda de violência no Brasil, tendo em vista o aumento da porcentagem de homicídios no país no período de um ano; a mídia brasileira exterioriza tal crescimento diariamente de forma, muitas vezes, insensata. Na infância, crianças são expostas à violência desde muito cedo, considerando que a mesma se torna presente em suas vidas depois de adultas.

Dentre os anos de 2016 e 2017, a taxa de homicídios aumentou 4,2% no Brasil (segundo o portal Agência Brasil). Tais dados são apresentados diariamente à população brasileira por meio de mídias sociais via internet, televisão e programas de rádio, mas, em certas circunstâncias de modo antiético perante os princípios jornalísticos, em especial o princípio VI (expostos no portal ABI - Associação Brasileira de Imprensa). No ano de 2019, ocorreu um atentado em uma escola estadual do município de Suzano (no estado de São Paulo), no qual dois jovens deixaram cinco mortos durante o massacre; a abordagem realizada para busca de informações com a mãe de um dos atiradores foi realizada de forma abrupta e antiética por um jornalista da Rede Bandeirantes.

Desde a infância, crianças são diariamente expostas à violência, o que causa certa banalização ao redor de tal tema tão sensível. Histórias de contos de fadas como ‘‘Branca de Neve’’ exploram a violência de modo fantasiado, colocando a ‘‘Rainha Má’’ como exemplo de maldade em seus atos fantasiosos como o envenenamento da protagonista por meio de uma maçã; a história criada primeiramente pelos Irmãos Grimm, ganhou reconhecimento mundial na década de 50 após o lançamento do filme pela ‘‘Walt Disney Studios’’, a mesma continuou produzindo filmes onde a violência sempre fora tratada de modo banal, fazendo com que crianças continuassem vendo tais atos como algo comum em suas vidas.

De acordo com as problemáticas supracitadas é possível ver que a violência acaba sendo fantasiada e espetacularizada na mídia atual, atingindo pessoas de todas as idades e classes sociais. Uma possível solução para a primeira problemática seria a criação de aulas (com ajuda do MEC - Ministério da Educação) nas universidades (de início nas universidades públicas e depois nas faculdades privadas) voltadas principalmente no respeito aos princípios jornalísticos para auxiliar na formação de futuros jornalistas com comportamentos mais éticos (no curso de jornalismo).  Para auxiliar na problemática da banalização da violência na infância seria interessante, também com o auxílio do MEC, a realização de palestras educativas e lúdicas para demonstrar os riscos da violência durante a vida adulta; as palestras seriam realizadas nas escolas públicas e privadas em todo o país.