Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/08/2020
O filme, “Abutre”, ilustra a história de um rapaz que ganha a vida filmando acidentes e vendendo para a mídia. Paralelamente, fora da ficção, a mídia brasileira transforma acidentes e violência urbana em espetáculo, sem ponderar sobre as consequências dessa banalização. Portanto, é necessário analisar as causas por trás desse espetáculo e as consequências dessa conduta.
A priori, é basilar entender os fatores que regem a espetacularização da violência no Brasil. Nesse prisma, a história do teatro da violência é paralela à história da justiça, no período medieval eram recorrentes execuções feitas em público, no qual os cidadãos se aglomeravam para presenciar o ato de violência. Dessarte, esse espetáculo da violência é uma construção cultural histórica com firmes raízes em nossa sociedade contemporânea.
A posteriori, a banalização da violência pela mídia brasileira pode trazer efeitos desastrosos para a nossa sociedade. Nessa lógica, Hannah Arendt se dedicou em alertar a sociedade para os males da banalização do mal, na qual explana que os cidadãos deixam de refletir sobre o que é bem ou mal e passam a considerar a violência uma normalidade do mundo. Nesse sentido, a espetacularização da violência pela mídia brasileira faz um desserviço a sociedade, influenciando na construção de uma sociedade menos crítica e consciente.
Por tudo isso, é urgente, medidas para amenizar o problema da espetacularização da violência no Brasil. Logo, o Governo Federal em parceria com as emissoras de televisão e jornais mais influentes devem se dedicar em alertar a sociedade quanto aos efeitos da banalização da violência. Para isso, devem, mensalmente, publicar matérias sobre os malefícios da banalização do mal e dos prejuízos que a violência traz para a sociedade. Assim, a população brasileira se tornará mais consciente e bondosa, se afastando do atroz circo histórico de violência.