Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 20/08/2020
De acordo o pensador francês Guy Debord, na obra “Sociedade do Espetáculo”, os cidadãos são transformados em plateia passiva e, as questões sociais, em imagens a ser consumidas.Nesse sentido, a obra reflete na atual sociedade brasileira, em que a mídia espetaculariza situações de violência diariamente.É decorrente da questão, a normalização da violência e a exposição excessiva.Destarte, fica evidente a necessidade de discutir as consequências dessa problemática.
Em primeira análise, vale destacar que o filosofo Theodor Adorno, diz que as mídias nos passam uma maneira de agir, que vão se configurar como um comportamento de massa.Nessa perspectiva, a violência é normalizada, e a comunidade passa a agir de acordo com o que a imprensa dita, isso faz com que os indivíduos fiquem com medo de sair de casa, por verem sempre um cenário de guerra nas redes televisionais.Dessa maneira, em momentos que deveriam ser de lazer nas famílias brasileiras, estão sendo passados casos muito violentos na televisão, o que faz com que as pessoas naturalizem essa situação que não é habitual, nem deveria ser passada como tal.Faz-se indispensável, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Ademais, no caso de Eloá Pimentel, o mais longo sequestro em cárcere privado, a cobertura feita pelas redes de televisão prejudicou as negociações com o sequestrador da adolescente, o que culminou em sua morte.Nesse viés, se torna claro que a exposição excessiva dos casos, é prejudicial para resolver os mesmos.Além disso, a exposição pode prejudicar o psicológico das vítimas que, após saírem de uma situação extremamente traumática, são obrigadas a verem seus traumas sendo expostos e as pessoas falando sobre tal em todos os meios de comunicação.Sob tal ótica, esse cenário desrespeita princípios importantes da vida social e precisa mudar.
Em suma, é preciso de medidas que atenuem a espetacularização da violência no corpo social brasileiro. Com o intuito de amenizar essa controvérsia, é primordial que o governo federal, entidade responsável por garantir o bem-estar dos civis, por meio do poder legislativo, exerça uma lei de conduta profissional jornalística, que visará os processos de criação de conteúdo, com intuito que a mídia pare de usar a violência como uma forma de entretenimento no Brasil.Assim, a banalização da violência pelos meios sociais não será mais vivenciada na realidade brasileira.