Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 28/08/2020

É fato que os veículos de comunicação vêm se afastando do seu primordial objetivo, transmitir informação de qualidade à população, em troca de ganhar audiência saciando a curiosidade dos cidadãos. Isto é, algumas mídias espetacularizam cenas de violência em prol de atrair mais espectadores. Entretanto, tal espetacularização, acaba banalizando a violência presente na sociedade e trazendo diversas consequências, como por exemplo: a má resolução de algumas situações e a incitação da violência.

Nesse sentido, o caso de Eloá Pimentel se torna um bom exemplo. A jovem foi sequestrada pelo ex-namorado e teve esse momento de horror espetacularizado pela mídia, que estava mais interessada em fazer a melhor cobertura e em transmitir uma ligação ao vivo com o sequestrador, do que em tentar ajudar Eloá de alguma forma. Por fim, ela acabou sendo assassinada por ele, após inúmeras interferências midiáticas em negociações com Lindemberg, o sequestrador.

Seguindo esse raciocínio, é notória a banalização da violência na sociedade atual. Alguns canais de comunicação, ao transmitirem as notícias de forma espetacularizada, fazem com que a violência se torne naturalizada no cotidiano e, algumas vezes, até mesmo justificável. Um exemplo de tal situação encontra-se até mesmo no cado da Eloá, quando é noticiado diversas vezes que seria um “crime de amor”, banalizando um sequestro e um consequente assassinato, além de acabar justificando casos de feminicídio.

Logo, faz-se urgente que o Ministério das Comunicações tome as devidas medidas cabíveis, de modo que as mídias passem a transmitir informação de modo responsável, censurando determinadas cenas de violência. Assim, erros como os cometidos com a Eloá não ocorrerão novamente, e a violência deixará de ser tão midiaticamente superestimada.