Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/09/2020
Para o filósofo Gay Debord, a espetacularização em si trata-se de uma inversão da realidade em algo imagético, criado para satisfazer necessidades de uma sociedade capitalista. Sob esse viés, a mídia utiliza esse método, além do sensacionalismo a fim de atrair audiência com o intuito de exploração comercial. Entretanto, causa graves problemas sociais como a banalização do mal, bem como agrava a sensação de insegurança na população brasileira.
A princípio, a degradante cultura do capitalismo que incentiva o lucro em detrimento ao bem estar social. Logo, a mídia imprudente em busca de audiência -que atrai anunciantes- cria programas sensacionalistas, os quais enaltecem a espetacularização da violência. Por fim, a percepção do cidadão é deturpada, provocando a banalização do mal, como descrito pela filósofa H. Arendt, sendo a ausência de juízo e à capacidade de julgar atos, por sua vez torna ações deploráveis -assassinato- em aceitável e normal.
Por outro lado, no ano de 2019 o Brasil teve 40 mil pessoas assassinadas, segundo noticiado pelo site G1, fato que é explorado pela mídia irresponsavelmente. Nesse contexto, é propagada uma imagem de prevalência da marginalidade na sociedade, devido a excessiva espetacularização da violência, de maneira que causa a sensação de insegurança. Tal emoção, propicia a síndrome do pânico, transtorno nocivo que atinge 4% dos brasileiros, segundo o Min. da Saúde. Decerto, tal conjuntura não condiz com a Constituição de 1988, que prega o direito à saúde e segurança para os cidadãos.
Portando, é mister o desestímulo da espetacularização descrita por Debord. Logo, o Min. da Comunicação junto com os jornalistas devem combater o sensacionalismo da violência nos meios de comunicação, a partir da criação de normas para conteúdo de casos policiais -assassinato, etc-, como tempo de exibição. Assim, expurgaria a espetacularização da violência da mídia, de modo a acabar com a banalização do mal, bem como a sensação de insegurança na população brasileira.