Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/08/2020

O filme “O abutre” apresenta um jovem que, com dificuldades de conseguir um emprego formal, decide ir atrás de crimes e acidentes chocantes para registrá-los, ferindo princípios éticos e morais, e vender as imagens para a mídia que se interessar. Esse filme representa a chamada espetacularização da violência, algo que é representado de forma impactante no filme, mas que é cotidiano, o que acarreta pré-julgamentos e a banalização da vida.

Primeiramente, é importante ressaltar que esse espetáculo de horror não surgiu juntamente com a mídia atual (internet e televisão, por exemplo), ela já existia na Roma Antiga, quando os gladiadores eram postos nas arenas para lutar contra leões ou entre si. Esse tipo de atividade era algo que promovia bastante entretenimento aos romanos, sendo que o mesmo se dá no Brasil, no século XXI, com outros critérios. O que ocorre é que, com o avanço dos noticiários e jornais sensacionalistas, casos muito bárbaros são tratados sem profissionalismo, veiculando informações errôneas que podem gerar pré julgamentos e acarretar em linchamentos e outras ações sempre mais violentas. Um exemplo disso foi Maria Fabiane de Jesus, linchada até a morte após ser confundida com outra mulher, suspeita de sequestrar crianças, devido a veiculação irresponsável de um retrato falado. Essa situação demonstra que a inconsequente necessidade de expor a violência contribui para o aumento dela.

Outrossim, é necessário destacar que fazer da violência um espetáculo é o principal método dos programas sensacionalistas. Isso é uma realidade, pois é comum, ao noticiar um caso extremamento violento, os jornalistas pressionarem a vítima a informações ou abusarem de seu momento de vulnerabilidade e sofrimento. Isso é visto no próprio filme, já que o protagonista filma as vítimas sem o menor respeito, além de invadir os cercos feitos pela polícia ou bombeiros, tudo pelas imagens. Um exemplo real é o conhecido Caso Eloá, em que a apresentadora Sônia Abrão, no meio de um sequestro, conversa com o rapaz de forma nada profissional, e evita o trabalho da polícia, apenas pela audiência, o que, após tanta confusão levou à morte da garota. Essa realidade se encaixa no que Hannah Arendt, filósofa alemã, descreve com banalidade do mal, ou seja, o indivíduo se acostuma com a violência e passa a não ter empatia pelo outro, gerando uma banalização ainda maior: a da vida.

Diante do exposto, é perceptível que a espetacularização da violência é muito comum no Brasil e gera consequências terríveis. Para mudar esse cenário, os jornais e programas devem filtrar as notícias, por meio da comprovação de sua veracidade, além de evitar expor ao extremo a ação cometida, principalmente se for um crime muito bárbaro, a fim de manter a população informada como deve e evitar exposições desnecessárias de vítimas, familiares e outros, mantendo a formalidade e