Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/08/2020

Na era da globalização uma das coisas que mais atrai o público é o sensacionalismo dos repórteres, que ridicularizam muitas famílias em situações difíceis, como o luto. Programas de televisão como Cidade Alerta e/ou Brasil Urgente é a ilustração perfeita desse sensacionalismo, onde há uma competição de quem mostrará primeiro, o caso mais impactante do dia, a fim de ser, ou pelo menos parecer ser o detentor das melhores fontes e o programa mais influente.

A série brasileira Hora do Perigo, de 2017, mostra um policial militar que quer se tornar um apresentador de televisão a qualquer custo, para isso mata pessoas e em seguida faz uma reportagem do assassinato mesmo antes da polícia chegar, justamente para parecer ser o repórter mais rápido. Essa prática deplorável ilustra como o luto das pessoas e a vida do próximo muitas vezes são desprezíveis, e podem ser facilmente ridicularizadas somente para gerar fama e dinheiro.

Além disso, por meio das redes sociais são disseminados com uma velocidade extraordinária os casos mais chocantes, e algumas vezes divulgam rostos e nomes erroneamente, como o caso da mulher que foi linchada no Guarujá ao ser confundida com uma sequestradora de crianças, estimulando a prática da justiça com as próprias mãos, sem ao menos checar a veracidade da fonte que lhe informou.

Portanto se faz necessário colocar um limite nessa corrida pela informação, através das autoridades federais, estaduais e municipais,  por meio do cumprimento mais rigoroso das leis já existentes a fim de conscientizar os responsáveis por essas práticas e não haver mais a banalização da violência e do sentimento do próximo.