Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 15/09/2020
Consoante o poeta modernista Carlos Drummond, “tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga, a questão da espetacularização da violência feita pela mídia tem gerado consequências negativas na sociedade hodierna. Nesse sentido, aspectos como a negligência social e o preconceito enraizado são moldados por ação midiática.
Em primeiro lugar, cabe salientar a questão da ausência de debates sobre a espetacularização da mídia como um empecilho. Sob essa ótica, programas sensacionalistas como “CPF cancelado” do jornalista Sikera Júnior, enfatizam prisões e perseguições policiais ao ponto de notícias trágicas se tornaram cotidianas, como é descrito pela filósofa alemã Hannah Arendt acerca da banalidade do mal, ou seja, ações irracionais geram consequências catastróficas em âmbito social.
Em segundo lugar, vale destacar também o papel midiático na permanência de preconceitos. O rapper brasileiro MC Sid tece críticas a companhia brasileira de notícias sobre fato de programas não enfatizar crimes cometidos pelas classes mais altas da sociedade e reportar majoritariamente manchetes em favelas. Assim, pode-se observar que a mídia, em vez de romper com a inércia do problema atua na consolidação de preconceitos.
Compreende-se, portanto, que uma medida seja tomada para mitigar o impasse. Dessa forma, urge que o poder legislativo atenue o jornalismo sensacionalista por meio de um projeto de lei na qual proíba que tais programas sejam televisionados das 6 às 22 horas com fito de reduzir a espetacularização de notícias trágicas em rede nacional. Espera-se, com isso, que o problema é visto como uma pedra no caminho para o desenvolvimento, seja removida.