Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2020

O livro “A colaboração: parceria entre Hollywood e o Nazismo” mostra o quanto Hitler recorreu ao poder de influência da mídia na campanha de adesão ao Nazismo na Alemanha, o que teve reflexos no Brasil durante o governo Vargas sendo um deles a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Sob esse prisma, ao passo que Vargas e Hitler obtiveram êxito em seu objetivo, a mídia hodierna também o obtém em função da espetacularização da violência em seus veículos. Dessa maneira, as causas de tal espetacularização se devem à manipulação e à alienação ambas realizadas pela imprensa.

A priori, cabe salientar o caso da moça de 15 anos, Eloá, a qual foi sequestrada pelo ex-namorado em 2008, devido à visibilidade que os veículos de comunicação deram ao caso na época, a polícia promoveu uma abordagem diferenciada o que resultou na morte da adolescente. Nesse cenário, a mídia incitou muitas pessoas a questionarem a índole e a motivação do sequestrador, o que reflete a passividade dos indivíduos frente ao que é transmitido a ele, visto que não há debate entre o telespectador e o apresentador, e isso mostra o porquê de a mídia ser um espetáculo. Logo, as consequências de tais atos podem ser vastos, incluindo o óbito como no caso relatado, revelando o quanto a mídia pode mais prejudicar o cidadão do que ajudá-lo.

Em segunda análise, outro fator a se considerar é a demasiada violência apresentada nos meios de comunicação que apresenta apenas um recorte da realidade e não a abrange em sua totalidade. Sob esse cenário, programas como “Balaço Geral”, amplificam as agressividades e causam em seu público, em sua maioria idosos, comoções e amedrontamentos, o que intensifica diversas patologias como síndrome do pânico, depressão, ansiedade, entre outras. Com isso, a alienação tem sido difundida ao invés da reflexão, visto que são empregados na mídia diversos recursos visuais e linguísticos para massificar pensamentos, consequentemente é óbvio que as agressões precisam ser expostas, entretanto é necessário apenas expô-las não amplifica-las disseminando medo e pavor.

Portanto, evidencia-se a necessidade de medidas que atenuem a problemática vigente. Nesse contexto, as Organizações Não Governamentais (ONGs) junto com a mídia, em especial os jornais, devem reunir uma equipe de sociólogos, filósofos e jornalistas com o objetivo de estabelecerem maneiras de incitar os telespectadores a utilizarem seu senso crítico a fim de reduzir a espetacularização e aumentar a reflexão, transformando não somente a maneira de se transmitir informações, mas também os cidadãos, os tornando mais ativos e proativos, evitando que casos como o de Eloá se repitam. Assim, se implantadas tais medidas, manipulações como as exercidas pela DIP no Brasil, não terá mais efeito na sociedade brasileira.