Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/09/2020

Em 2006, era exibido, em televisão aberta, o programa “Cadeia sem Censura” no qual o apresentador acusava pessoas sem provas e incitava linchamentos. Hodiernamente, esse tipo de programação ainda persiste, com uma nova roupagem, mas que, em busca de audiência, traz a mesma estética apelativa, resultante em consequências nefastas ao âmbito penal brasileiro e a mentalidade de uma coletividade. Nessa perspectiva, cumpre mencionar que esse tipo de postura atribui um caráter punitivista exacerbado às infrações delituosas. Dessa forma, é possível observar que ele se expressa por meio da acentuação da violência policial e, nesse sentido, um relatório da Anistia Internacional apontou a polícia brasileira como a mais violenta do mundo. Desse modo, mostra-se inadmissível que qualquer discurso nesse sentido seja vinculado livremente na TV. Além disso, é importante salientar que programas ¬do gênero tiveram um papel significativo na mudança de mentalidade de uma parcela da sociedade. Pois, raciocínios semelhantes aos desses shows televisivos que, diferentemente do real jornalismo, são extremamente parciais, têm se tornado mais comum. Isso pode ser evidenciado pela eleição de candidatos que partilham desse pensamento, uma vez que no Brasil vigora uma democracia representativa e, dessa maneira, os políticos representam as ideias e opiniões do povo. Esse tipo de pensamento acaba, portanto, respaldando os atos de truculência policial incentivados pela espetacularização da violência pela mídia. Assim, urge a necessidade de medidas que visem afastar essa problemática. Para tal, o Ministério das Comunicações deve estabelecer diretrizes quanto à vinculação de notícias no Brasil, por meio de um rol taxativo que ilustre em que hipóteses são aceitáveis parcialidade na notícia. Dessa forma, será possível conter o avanço desse modo violento de fazer jornalismo que afeta negativamente a vida de pessoas todos os dias.