Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 11/09/2020

Ao se analisar o contexto em que a sociedade brasileira está inserida, voltam-se atenções para uma questão de relevante problematização: A violência como forma de espetáculo. Essa situação acontece cada vez mais por causa dos altos lucros gerados à mídia pela indústria do crime, e por causa da negligência do governo no que concerne a incitação ao ódio.

A princípio, vale ressaltar que há uma cadeia de lucros voltados a temas relacionados a violência. A esse respeito, o filme brasileiro “Tropa de Elite 2”, com um roteiro repleto de cenas violentas, foi recorde de bilheteria e atraiu uma legião de fãs ao BOPE(Batalhão de Operação Policiais Especiais). Desse modo, crianças e adolescentes reproduziam as cenas do filme em suas brincadeiras, fazendo alusão à guerra e ao combate ao crime, e espelhavam seu futuro num cenário de tráfico e tensão policial. Diante disso, é necessário que sejam tomadas medidas a fim de reverter essa visão atrativa de um problema social.

Outrossim, a falta de atuação do estado diante do lucro criminal colabora para avolumar o problema. Segundo o filósofo Aristóteles, o estado serve para garantir felicidade aos cidadãos, porém isso não é visto no contexto atual diante da inação do governo em minimizar as consequências do espetáculo da violência. A esse respeito, existe uma cadeia empreendedora protegida pelo governo, que lucra desde a produção de armamentos até a empresas de segurança, se beneficiando da vulnerabilidade dos cidadãos. Logo, observa-se que a proteção individual é lucrativa pra outrem.

É fundamental, portanto, a ação do poder público para reverter essa situação de audiência da barbárie. Para isso é necessário que, o estado em parceria com a sociedade, promova palestras à população, por meio de ampliação de verbas públicas. Essas palestras serão nas comunidades com participação de profissionais de diversas áreas, e terão como objetivo incentivar as crianças a seguirem caminhos opostos ao crime organizado, assim será garantido a felicidade aos cidadãos proposto por Aristóteles.