Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/09/2020

Na década de 1990, em Nova York, cinco jovens foram acusados injustamente de terem estuprado uma mulher no Central Park. Na época, a cobertura da mídia americana foi tão intensa e sensacionalista que figuras influentes como o bilionário Donald Trump pediram a volta da pena de morte como punição por tais crimes. No Brasil, pouco tempo depois, a chegada do jornalismo que espetaculariza a violência contribui para um show de politicagem e banalização da vida.

Em primeiro lugar, sabe-se que os meios de comunicação não parciais possuem um papel fundamental de influência no âmbito político. Prova disso é o canal Cidade Alerta, da emissora RecordTV, que noticia os acontecimentos de forma apelativa e com opinião declarada. Nesse sentido, o medo é o principal efeito gerado pela retratação exarcebada dos crimes violentos que, junto com o poder de convencimento do apresentador, pode levar ao descontentamento irreal com os gestores vigentes. Dessa maneira, o telespectador perde seu senso crítico à medida que se torna manipulado por grandes canais televisivos.

Ademais, nota-se que a propagação do excesso da violência corrobora para sua banalização. Isso se fundamenta pelo conceito da “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, que evidencia a perpetuação de fenômenos da barbárie a partir do momento que o indivíduo é impossibilitado de exercer seus juízos morais. Dessa forma, a ilusão de verdade forjada pelo sensacionalismo perpetua a desumanização das vítimas e o caos na sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para que a sociedade não seja alienada. Para isso, urge que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas diretrizes educacionais, crie uma base curricular focada no desenvolvimento do senso crítico de alunos das redes públicas e privadas. Tal ação deve ocorrer por meio da distribuição de materiais de apoio e palestras nas escolas com o objetivo de ensinar os jovens como não se deixarem manipular por influências midiáticas. Assim, a população não será afetada pelas consequências do show da barbárie televisiva.