Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2020

No documentário “Quem matou Eloá?”, disponível no youtube, é levantado um questionamento social que permeia até os dias atuais: Qual o papel da mídia na propagação de notícias e na difusão de fatos como a violência? No caso citado, o Brasil inteiro parou para acompanhar a história da jovem Eloá e seu suposto sequestro e assassinato, apenas como espectadores da brutal violência humana, encerrada drasticamente com o final trágico do fato. Toda essa repercussão acabou de algum modo comprometendo um pouco o papel da polícia, uma vez que, o suposto relator do crime acompanhou todos os passos da polícia por meio das mídias, o que demonstra que o debate em torno da espetacularização da violência ainda é atual.

A priori, percebemos a semelhança social com a sociedade do espetáculo, descrita pelo filósofo francês Guy Deboard, na qual o mesmo exemplifica uma sociedade que presa pela aparência e por se tornar o centro do “espetáculo”, utilizando de todos os artifícios possíveis. Isso, está ligado a pressa pelas notícias a fim de conseguir a exclusividade, causando assim, em muitas vezes, a falta de reflexão sobre os impactos da notícia, ou de como elas será repassada a população, banalizando a violência a um patamar de naturalidade, ainda mais a violência virtual, que segundo a multinacional Symantec, empresa de segurança na internet, a cada 1 minuto, 54 pessoas são vítimas de crimes cyberneticos no Brasil,demonstrando ainda maior preocupação nessa área que é considerada por muitos segura e banal.

Ademais, cabe analisar também a teoria do sociólogo polonês Zigmunt Bauman, que em sua obra, Sociedade Líquida, retrata a liquidez das relações humanas causadas pela rotina monótona diária. Sob esse prisma, e ainda na vertente do caso Eloá, pode-se perceber uma mediocrização da vida humana e seu sofrimento. Fora dessa perspectiva, ainda percebemos um aumento exponencia dos chamados justiceiros, que por jugarem as notícias exibidas no meio midiático, resolvem fazer justiça com as próprias mãos, por duvidar das relações sociais.

Portanto, medidas são necessárias para se resolver o impasse. O ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação devem realizar campanhas sobre o papel da mídia, como também oferecer cursos para as grandes empresas de comunicação, a fim de assegurar os direitos de expressão e liberdades da constituição de 1988, como também maneiras mais eficazes de abordar as notícias relacionadas a violência. Além disso, o poder legislativo, em figura da Câmara Federal, deve garantir o implemento de leis mais eficazes no combate a violência televisionado, evitando atos “justiceiros” da população, contribuindo para erradicação da violência.