Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/09/2020
O sensacionalismo comumente conhecido teve suas origens na França, entre 1560 e 1631, quando surgiram dois impressos, similares aos jornais, que extrapolavam na divulgação das notícias. Hoje, esse tipo de espetacularização das informações ainda é visível, principalmente no que diz respeito a violência. Os meios televisivos brasileiros exploram acontecimentos e maximizam os fatos para atrair telespectadores. Porém, é importante analisar que tal fato pode estimular ainda mais violência e faz com que a mídia perca sua função primordial.
Em primeiro lugar, vale destacar que ao exagerar na divulgação de um relato sobre violência, a mídia pode incitar ações similares ou piorar o ocorrido. Ademais, o caso Eloá, um sequestro de cobertura ampla, é exemplo de como os repórteres de canais televisivos contribuíram negativamente para atuação dos policias, uma vez que estes não sabiam ao certo como prosseguir diante das câmeras. Ou seja, o sequestro foi espetacularizado com o objetivo de conquistar audiência, mas trouxe prejuízos ao caso que terminou de maneira trágica.
Além disso, a espetacularização da violência é feita por meio de uma potencialização dos fatos, de modo que a mídia perde seu papel principal, que é transmitir notícias de maneira impessoal para que os telespectadores possam formar suas próprias opiniões. Guy Debord, escritor francês, criou o termo “sociedade do espetáculo”, na qual a sociedade se basearia em imagens e teatralização para conquistar outras pessoas. Esse conceito se aplica aos meios de comunicação que manipulam a visão de mundo dos espectadores e dificultam a formação crítica dos mesmos.
Portanto, a excessividade na transmissão de atos violentos traz prejuízos tanto para a população quanto para as próprias mídias que os divulgam. Logo, para solucionar tal problemática é fundamental que o Ministério das Comunicações, em parceria com a sociedade, amplie campanhas que divulguem a importância de buscar diferentes fontes de informações e que garantam uma verificação de manchetes sensacionalistas, por meio dos próprios canais televisivos, redes sociais e palestras. Para evitar a manipulação e permitir que a população disponha de notícias verídicas. Só assim será possível formar uma comunidade informada e embasada.