Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/09/2020

O cenário de violência no Brasil é preocupante, homicídios, estupros, agressões verbais e trocas de tiros acontecem todos os dias em uma frequência assustadora.  Mas por algum motivo, toda essa tragédia parece servir de entretenimento para muitas famílias e gerar muito dinheiro. Essa movimentação em torno dos desastres gera um cenário midiático que exalta cada vez mais esse tipo de situação em busca da audiência,  muitas vezes  atrapalhando o trabalho da polícia ou botando em risco a vítima.

Podemos notar nos livros, filmes ou jogos que de modo geral ocorre no mundo uma certa glamurização da brutalidade, essas formas de arte vem ficando cada vez mais brutais, para alimentar um público que parece se entreter com a barbárie, mas isso toma outras proporções quando  se trata da mídia, uma vez que ela interfere em situações verídicas, como um sequestro ou um assalto real.Nesse caso temos exemplos como o do ônibus 174 em que a cobertura da mídia acabou piorando a situação.

Não só  a violência é mostrada como também todo o sofrimento gerado por ela, como no caso no ano de 2020 em que o apresentador Bacci anuncia a morte da filha para uma mulher ao vivo em rede nacional e a mulher desmaia.

Toda essa exposição de uma pessoa totalmente vulnerável é imoral e pode deixar sequelas na vítima, fazendo com que a mesma se envergonhe e crie uma fobia social por saber que um grande numero de desconhecidos sabe da historia dela.

Esse tipo de programa só existe por que tem telespectadores que desejam consumi-lo, muitas vezes esse público não pensa em todos os problemas causados em volta dessa situação, portanto todas as emissoras que lucram com esse tipo de programa policial, deveriam ser obrigadas por uma  lei a dedicar uma propaganda falando sobre o quão prejudicial pode ser esse tipo de entretenimento, assim como o cigarro.