Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/09/2020

É impossível negar que a violência no mundo tornou-se um espetáculo televisionado por mídias que criam palcos fictícios onde pessoas descontentes com seu dia terminam por achar um pobre infeliz, vitima de uma sociedade fria reativa, para despejar mais violência e rancor. Um fato tão evidente que pode ser notado em frases recorrentes que giram em torno de ameaças a integridade física de um criminoso, muitas vezes um homem pobre e marginalizado que não possui forma de obter sustento.

De inicio pode-se afirmar que a sociedade se tornou fria e distante, assim como tornou banal a importância do direito à vida. Essas afirmações só são possíveis quando baseadas nos dados recolhidos pelo Datafolha, pois esses dados demonstram que a aceitação de punições, como pena de morte, subiu para 57%  em 2018 se compararmos a 2 anos anteriores. Torna-se evidente que a estima pela reabilitação dos presidiários ou então que a esperança em dar uma segunda chance  já estão mortos, assim como a empatia por aquele que já não possui como voltar atrás ainda que deseje.

Ainda que as mídias cumpram seu papel de levar a informação a todos a quem interesse saber, ou mesmo que não interesse em certos casos como nas Fake News, elas se corromperam ao ponto de usar de quaisquer tática para manter altas audiências. Um exemplo claro dessa afirmação foi o caso da escola de Suzano, em que houve uma investigação tão desnecessariamente funda que poderia ter levado a replicações dos atos nefastos ocorridos na escola. De maneira geral a mídia exerce grande influência na sociedade a ponto de poder gerar gatilhos para situações adversas sem que haja a menor comoção.

Conclui-se que a mídia não só possui um grande poder sobre o pensamento popular como também deve ser responsabilizada, ainda que minimamente, por qualquer forma de constrangimento ou divulgação de informações que funcione como gatilho psicológico para situações que tragam risco a integridade física de qualquer um, seja um dito “cidadão honesto” ou então algum criminoso que deva responder apenas a um tribunal legal. Dessa forma cabe ao Ministério da Comunicação exigir que emissoras de TV, canais por assinatura ou Streaming alertem aos consumidores do conteúdo que o que lhes será apresentado possui imagens e informações prejudiciais ao psicológico e apresentam níveis muito elevados de violência física ou psicológica e mantendo esse conteúdo longe de uma grade de transmissão acessível para qualquer pessoa em qualquer idade com qualquer que seja sua condição psiquiátrica.