Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/09/2020
O ano de 1808 tornou-se simbólico para a história do Brasil, marcado pela chegada da corte portuguesa ao país, trazendo consigo mudanças significativas, tais como o desenvolvimento da imprensa e o surgimento do primeiro jornal brasileiro, o Gazeta do Rio de Janeiro. De maneira semelhante, nos dias atuais a imprensa exerce cada vez mais influência no contexto nacional, veiculando notícias, imagens e comunicados à população. Não obstante, observa-se uma forte tendência a veiculação de imagens violentas e perturbadoras pelos campos midiáticos, tornando-as um espetáculo para o público. Dessa forma, tal atitude desemboca em questões negativas, refletindo consequências como a banalização da violência além da falta de empatia com o sentimento alheio. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a disseminação de conteúdos bárbaros de maneira massiva nos meios midiáticos, contribuem para um sentimento de normalização da violência, ao passo que ela se mostra corriqueira. “Sem cultura moral não haverá nenhuma saída para os homens”, a emblemática frase do cientista teórico Albert Einstein focaliza a problemática relacionada a falta de cultura moral que permeia os meios de comunicação social. Sendo assim, o sensacionalismo e a constante necessidade de aumentar cada vez mais a audiência, faz com que os valores morais e éticos dos jornalistas sejam trocados por uma falsa noção de informatividade detalhada.
Por conseguinte, convém salientar que a necessidade de manter apreendida a atenção do público, conduz os jornalistas e apresentadores a divulgarem os casos de maneira extremamente verossímil, apresentando imagens brutais e chocantes. De acordo com a teoria do imediatismo e da modernidade líquida proposta pelo sociólogo polonês Zygmund Bauman, a sociedade está cada vez mais ansiosa, indiferente e propensa a dissolverem seus valores pessoais em troca de sanar sua curiosidade. Nesse sentido, imagens e notícias violentas tornam a serem transmitidas e consumidas pelo público, que se isenta do sentimento de empatia e faz da dor alheia um entretenimento a ser comentado e compartilhado sem nenhum tipo de condolência ou respeito.
Portanto, é necessário que sejam implementadas medidas resolutivas visando suprir a problemática da espetacularização da violência pelos meios midiáticos. Destarte, cabe ao Ministério das Comunicações implementar uma Carta Regulatória, a fim de limitar a exposição de conteúdos perturbadores ou violentos de maneira explicita nos campos de comunicação social. Outrossim, a Carta Regulatória funcionaria fiscalizando previamente as imagens a serem veiculadas, ademais uma multa seria atribuída para aqueles que descumprissem com os regulamentos estipulados pela Carta. Somente desta maneira será possível realinhar o pensamento social acerca problemática.