Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 17/09/2020

Segundo o escritor Guy Debord a sociedade contemporânea passa por uma fase do capitalismo intitulada como  “sociedade do espetáculo”, uma vez que as relações sociais são pautadas na imagem . Dentro desta ótica de pensamento é possível perceber o poder de influência das mídias atualmente.No entanto, nos últimos anos a mídia brasileira tem sido duramente criticada pela falta de imparcialidade, uma das premissas mais importantes do gênero notícia, uma vez que tem ocorrido uma grande espetacularização da violência motivada, principalmente, pela aspiração de ampliar a audiência e tendo como principais consequências a banalização da morte e a prática da justiça pelas próprias mãos .

Em primeiro lugar, segundo a socióloga Hanna Arendt ao expor indivíduos a determinadas situações imorais constantemente demonstrando normalidade pode ocorrer a “banalização do mal” , na qual a pessoa passa a ter dificuldade em criticar ou repudiar aquela ação e pode acabar sendo um propagador destas atitudes. Neste sentido, ao expor imagens de violência e morte diariamente para a população brasileira a mídia tem criado uma situação de banalização da morte, uma vez que, de forma semelhante a apresentada pela socióloga, os indivíduos passam a interpretar agressão como comum e habitual favorecendo o crescimento da violência.

Ademais, além da veiculação exagerada em atitudes violentas a mídia tem divulgado informações pessoais de envolvidos, as quais são desnecessárias ao conhecimento geral, ocasionando, diversas vezes, uma resposta violenta por parte da população e a prática da justiça com as próprias mãos.Para exemplificar , em 2015, uma cidadã do Rio de Janeiro foi linchada em sua comunidade após a veiculação de uma notícia, com informações detalhadas da suposta criminosa ,de que a mesma estaria envolvida em sequestro de crianças para a prática de magia negra.

Portanto, medidas são necessárias para coibir esta intempérie. Assim, cabe ao poder Legislativo, como principal responsável pela criação de leis, criar uma legislação sobre veiculação de notícias violentas, a qual deve prever a proibição da divulgação de dados pessoais dos envolvidos, com o objetivo de evitar a prática da justiça com as próprias mãos e preservar a imagem dos cidadãos. Além disso, cabe ao Ministério da Educação trabalhar em políticas educativas para reduzir a banalização da morte por parte dos indivíduos incentivando a reflexão e promover cursos a jornalistas e equipes midiáticas sobre a divulgação imparcial e cuidadosa dessas notícias .