Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/09/2020

O pensador francês Guy Debord, sintetiza em seus estudos a ideia de que em nossa sociedade o espetáculo confere à sociedade coerência e coesão. A aplicação do espetáculo como instrumento de sedução e controle das massas é conhecida, no entanto, desde as políticas de pão e circo romanas. Todavia, na atualidade, um problema preocupante surge porque assim como na Roma Antiga, a violência passa a ser utilizada como entretenimento e fonte de renda, gerando desumanização e desvalorização das vidas de brasileiros.

Em primeira análise, como é apresentado no trecho da música “O salto” da banda o Rappa: “Aos jornais, deixo meu sangue como capital”, a violência, problema pertinente na nossa sociedade e comum a todos os indivíduos, é muitas vezes aproveitada como base de entretenimento. A banda, conhecida por tratar das mazelas sociais da população brasileira, ilustra que é evidente para grande parte da população a ideia de que, pela forma com que as notícias são expostas nas mídias, muitas vezes o intuito é de gerar atração e renda.

Por conseguinte, a espetacularização da violência em programas de auditório, noticiários e novelas inicia um processo de desumanização em que vidas e sofrimento são aproveitados apenas para acúmulo de audiência. Um caso em que a insensibilidade foi explicitada ocorreu num programa de cunho jornalístico. O apresentador informar uma mão sobre o falecimento de sua filha, até então desaparecida, ao vivo, transmitindo em rede nacional seu desespero.

Levando em conta as consequências da maneira com a qual as mídias lidam com a violência, deve-se encontrar maneiras de minguar este tipo de conteúdo. A ação de monetizar vidas humanas é lucrativa porque é tendência das massas contemporâneas procurar por atrações e não necessariamente informação. Por esse motivo, a educação da população para os limites da exposição da violência e suas consequências, através de campanhas, projetos, palestras (organizadas principalmente por organizações não governamentais contra a violência) é importante para que esse tipo de mídia perca seu público.