Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/09/2020

Na Roma Antiga, diversos imperadores utilizavam a política do “Pão e circo”, que proporcionava à população momentos de lazer em grandes espaços, por meio de batalhas e cenas de extrema violência. Não distante disso, no Brasil, há também uma realidade de espetacularização da violência, hoje, devido aos avanços tecnológicos, gerada pela mídia, o que traz diversas consequências negativas. Entre elas, cabe citar uma sociedade cada vez mais agressiva e a questão do uso de interesses nas práticas jornalísticas.

Em primeiro plano, deve-se analizar como a mídia colabora com a violência. De acordo com um estudo feito pela UNESCO, a população infanto-juvenil de países com com alta ou média tecnologia, como o Brasil, tendem a apreciar mais a violência. Isso se dá, entre outros fatores, pois os jovens, que estão em fase de crescimento e construção de valores, por meio da mídia, são expostos a conteúdos e informações que mostram agressividade e ferocidade, e por consequência, não só normalizam essa questão, mas também começam a praticá-la. A exemplo disso, cabe citar o aumento do número de procura por filmes de ação, geralmente consumidos pela população jovem, que para agradá-los, representam situações “mais violentas que o normal”. Diante disso, é importante que medidas para preservar essa parcela da população sejam tomadas.

Outrossim, a intencionalidade dos meios midiáticos em retratar a violência deve ser analisada. Na contemporaneidade, assim como mostra o balanço feito pelo Relatório de Transparência do Brasil, o interesse por conteúdos violentos aumentou cerca de 10 vezes no ano de 2018. A partir disso, alguns canais, além de ter como função proporcionar conhecimento e informação à sociedade, passaram a mostrar aquilo com que essa se interessa, isto é, a violência, a fim de alcançar um público e audiência maior. Como resultado, as informações divulgadas por essa instituição são desproporcionais à real conjuntura e, as vezes, não preservam os direitos dos envolvidos na situação reportada. Logo, providências devem ser colocadas em prática.

Portanto, essa situação deve ser sanada. Cabe as Escolas, públicas e privadas, com o auxílio de psicólogos e especialistas, proporcionar palestras para pais e responsáveis, a fim de mostrá-los as consequências do excesso de exposição à violência para a formação de jovens, e dessa forma, esses possam desenvolver-se com valores mais pacíficos. Ademais, o Poder Legislativo, junto ao Ministério da Comunicação, deve estabelecer leis com punições, para os Meios Midiáticos que divulgarem informações desproporcionais, com o objetivo de tornar as mensagens expostas cada vez mais verdadeiras. Sendo assim, o cenário de apreciação da violência deixará de existir.