Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 23/09/2020
Maior e mais famoso símbolo do Império Romano, o Coliseu era um enorme anfiteatro reservado para combates entre gladiadores ou opondo esses guerreiros contra animais selvagens, no intuito de entreter e divertir a população com os combates. Séculos depois, no entanto, embora a sociedade tenha criado um maior senso de empatia e perdido um pouco da fascinação pela violência, muitos interesses primitivos ainda são mantidos e até mesmo incentivados pela mídia atual, que espetaculariza frequentemente conflitos e mortes nos canais de notícias, gerando um comportamento mais agressivo na população e banalizando a morte.
No ano de 2008, a UNESCO realizou uma pesquisa em 23 países, inclusive no Brasil, com 5.000 estudantes de cerca de 12 anos de idade, a mesma revelou que a população infanto-juvenil de países considerados de “alta tecnologia” e que dispõem de maior acesso a meios eletrônicos de diversão, como televisões, computadores e videogames, tende a apreciar mais a violência. Infere-se portanto que, o comportamento da população, em especial o da mais jovem, tende a ser influenciado pela mídia, que deve se conscientizar e pregar o combate à atos violentos e criminosos.
A operação policial realizada em 2010 no complexo do Alemão no Rio de Janeiro, foi transmitida ao vivo por canais de notícias que não hesitaram em exibir traficantes sendo alvejados por policiais no local. Essa e outras reportagens demasiadas expositivas, somadas a filmes cada vez mais violentos, acabam contribuindo para que as pessoas se tornem mais insensíveis e não se importem com o sofrimento alheio, fazendo com que a vida humana perca o “valor” com o passar do tempo e favorecendo o crescimento da violência.
Portanto, para que ocorra uma mudança significativa nesse cenário, é necessário que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Propaganda, exerça mais controle sobre a programação que passa nos principais canais de tv e incentive os pais a orientarem seus filhos a não consumirem conteúdo impróprio para suas idades. Ademais, cabe também ao Governo, juntamente com o Ministério da Comunicação, conter o excesso de exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por meio da criação de uma Lei ou de um regulamento, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.