Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

Na Roma Antiga,por volta do século VIII a.C,o imperador Flávio Vespasiano ordenou aos  seus escravos e prisioneiros  de guerra a construção de um amplo Coliseu na região italiana,destinado a princípio para lutas entre gladiadores e animais.Nesse cenário,parte da sociedade romana comparecia diariamente aos eventos promovidos pela elite local nesse anfiteatro,com aqueles transformando em entretenimento um problema real citadino:as agressões.Analogamente,ao analisar-se o papel da mídia brasileira no âmbito atual,é notável a massiva espetacularização  da violência apresentada à população,muitas vezes sem a criticidade adequada ao caso abordado.Dessa forma,urge discutir as consequências advindas dessa problemática,como danos emocionais e banalização da morte.

A priori,convém frisar que variadas pessoas,ao se depararem com assíduas notícias,veiculadas pelos meios comunicativos,relacionadas à prática de agressões feitas por criminosos,a exemplo,tendem a adquirir problemas de caráter psicológico.Segundo o mestre em Direito Administrativo pela Universidade de São Paulo Sérgio Schecaira,“a mídia é uma fábrica ideológica que expõe os cidadãos constantemente a questões criminais aparentemente sem fim,provocando medo e intranquilidade“.Nesse viés,percebe-se que a exploração de fatos violentos pela imprensa reflete na formação ética humana,pois muitos não possuem preparo emocional para lidar com os referidos casos.

Outrossim,depreende-se que a naturalização da morte configura outra consequência da espetacularização midiática concernente à violência.Conforme retrata a filósofa alemã Hannah Arendt,em sua obra Eichmann em Jerusalém,”os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido corriqueiramente,gerando passividade social”.Diante disso,é notável um expressivo incentivo populacional à difusão do jornalismo emotivo,tendo em vista que muitos destes consomem e formam opiniões sobres os conteúdos expostos sem análise prévia das ações praticadas por criminosos.Desse modo,forma-se um ciclo vicioso entre a sociedade e os integrantes da mídia,com aqueles  aceitando e,por vezes,se entretendo com as agressões exibidas e estes perpetuando a produção do “espetáculo“ no âmbito nacional,ocasionando,assim,na lamentável presença do supracitado fenômeno.

Portanto,o Governo Federal deve,por meio do Ministério da Comunicação,elaborar um marco Regulatório de Comunicação,visando concretizar limites à veiculação de imagens e vídeos violentos em canais abertos.Ademais,aquele deve,por meio do Ministério da Educação,inserir nas grades curriculares públicas e privadas a disciplina de Ética e Cidadania,por meio do engajamento às disciplinas de Sociologia e Filosofia,a fim de que se discuta com os alunos a importância da reflexão para plena interpretação de condutas sociais.Assim,o impasse seria amenizado.