Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 20/09/2020

Na Roma Antiga, a população era alimentada pela política do ‘‘pão e circo’’, que incentivava a ida ao Coliseu para prestigiar atos de violência explícita, usando-os como forma de entretenimento e normalizando agressões. De forma semelhante vive a sociedade contemporânea brasileira, em que a mídia faz o papel do Coliseu, espetacularizando a violência, causando assim, sua banalização e incentivo a comportamentos semelhantes.

Primeiramente, é importante analisar a maneira como a crescente concorrência entre empresas midiáticas influencia nas notícias, uma vez que priorizam a quantidade de visualizações em detrimento a qualidade do conteúdo. Consequente dessa busca incessante por engajamento, meios jornalísticos procuram uma maneira de se destacarem, transformando seu conteúdo em uma espécie de entretenimento, redigindo notícias de forma que episódios violentos tragam um sentimento de tensão, prendendo a atenção do público e realizando sua espetacularização, banalizando a violência noticiada. Comprovando essa situação de um ponto de vista sociológico, tem-se Jessé Souza, brasileiro que defende que atualmente há uma naturalização da violência no Brasil.

Outrossim, a violência retratada de maneira a formar um espetáculo, também possui o poder de incitar cidadãos a realizarem atos violentos inspirados nos apresentados em meios comunicacionais. O poder da imagem no cérebro humano é um tópico muito discutido e estudado por cientistas, em que há teorias em defesa da ideia de que comportamentos violentos possam agir como gatilho para pessoas que já estavam, previamente, considerando realizar algum ato de mesma natureza. Sendo assim, a superexposição de acontecimentos agressivos gera uma sociedade propícia a replicação de mais comportamentos e episódios de mesma classificação.

Em virtude dos argumento a cima discorridos, fica evidente a necessidade de medidas para a amenização de tal problema, como a contenção do excesso de exposição de imagens que exploraram atos de brutalidade e aumento do foco no acontecimento propriamente dito, deixando os desdobramentos brutais em segundo plano, ambas por parte do Governo Federal por intermédio do Ministério da Comunicação, com a criação de um marco Regulatório de Comunicação, que estabeleça limites de violência em canais abertos, visando a humanização das notícias e prevenindo gatilhos. Contudo tal medida deve ser realizada de forma a não restringir demasiadamente os conteúdos, respeitando sempre a liberdade de expressão dos meios midiáticos.