Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 20/09/2020

No livro “A lei e a Ordem” do sociólogo alemão Dahrendorf, a anomia é uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. Sob tal ótica, embora haja um documento listando regras de conduta para o meio jornalístico, é notória a espetacularização da violência pela mídia brasileira através de notícias exageradas e tendenciosas. Consequentemente, tem- se a redução do conteúdo informativo desses veículos midiáticos e uma sociedade gradativamente insensível.Diante disso, torna- se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral analisar que o sensacionalismo na mídia ocorre com o intuito de “prender” o telespectador na notícia e, assim, elevar a audiência. Para que isso ocorra, utiliza- se exageros, criação de polêmicas, omissão intencional de determinados fatos e apelações emotivas havendo, portanto, uma fuga do conteúdo informativo. Analogamente, essa espetacularização assemelha- se com a política do “Pão e circo” utilizada na Roma antiga, tendo em vista seu contexto original, esse termo surgiu como crítica a falta de informação do povo romano, o qual se preocupava apenas com o alimento e o entretenimento. Destarte, ao invés de informar, grande parcela do jornalismo brasileiro tem utilizado estratégias negativas para garantir a atenção do público.

Ademais, o tendencionismo da violência é refletido, também, nas abordagens insensíveis feitas, por exemplo, pelos jornalistas aos parentes das vítimas, demonstrando uma sensibilidade sobposta à necessidade de elevação da audiência. Consoante o “Fenômeno da Psicoadaptação” do psiquiatra Augusto Cury, a exposição repetida ao mesmo estímulo tem a capacidade de adaptar o ser humano às emoções de prazer ou dor. Nesse contexto, as práticas sensacionalistas utilizadas constantemente na mídia tem por conseguinte, uma população progressivamente apática, uma vez que se psicoadaptaram às imagens de violência e à infimidade de empatia dos repórteres transmitidas por esses veículos jornalísticos.

Fica evidente, portanto, a importância de combater a espetacularização da violência. Logo, compete à população brasileira unir- se através de movimentos ativistas nas redes sociais. Essas manifestações digitais ocorrerão por meio do compartilhamento de textos, imagens e vídeos, os quais criticam, alertam e informam acerca dessa problemática, com a finalidade de tornar toda a sociedade brasileira ciente em relação ao que ocorre na mídia e aumentar o engajamento na “internet” contra esse impasse. Só assim reduzir- se- á o sensacionalismo jornalístico e alcançar- se- á a plenitude da informação.