Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

O papel do jornalismo em nossa sociedade é narrar fatos, informações, apresentado notícias com o máximo de veracidade, apresentando inevitavelmente opiniões sobre os fatos narrados. Porém percebe-se uma forte presença do sensacionalismo brasileiro, transformando fatos e notícias em espetáculos para o povo brasileiro. Por causa do espetáculo violento e diário dos jornais, nossa sociedade começou a tratar a violência como uma coisa comum, onde muitos chegam a gostar tanto que pra eles vira uma novela. O verdadeiro papel do jornalismo foi desviado, transformando o jornal em uma espécie de novela, para chamar a atenção dos espectadores, tirando deles um senso crítico fundamental nos debates sobre os fatos narrados pelos jornais.

No dia 17 de fevereiro de 2020, uma reportagem do programa “Cidade Alerta”,da Record, gerou revolta nos telespectadores. Na reportagem a mãe de Marcela, de 21 anos, que foi assasinada pelo seu namorado, é informada ao vivo sobre a morte da filha. A mulher desmaiou ao saber do assassinato. Esse é apenas um dos muitos casos em que a mídia transforma casos de crimes bárbaros em um show. A espetacularização da violência cria um ambiente, de medo e insegurança constante fazendo a população entrar num transe controlado pelos interesses de grupos políticos, desviando a voz da justiça para a voz de telespectadores sedentos por sangue, uma vez que não se reconhecem os diretos daqueles que estão sob a tutela da Polícia e da justiça, os presos.

O artigo 4, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, diz “A apresentação de informações pelas instituições públicas, privadas e particulares, cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade, é uma obrigação social.” Gostaria de deixar notório que o papel do jornalismo se resume a esse parágrafo. A função do jornalismo é apresentar fatos que produzam efeitos positivos na vida em sociedade, o que não acontece quando os telespectadores estão sedentos por sangue. Devido a isso houve um desvio no papel do jornal que precisa ser resgatado a todo custo, já que quando efetivo produzem efeitos positivos como o resgate do senso crítico da população.

Portanto, enquanto a violência for objeto para produção de notícias, ainda haverá a normalização da violência e o desvio no papel do jornalismo. Tais problemas seriam minimizados se o Poder Legislativo criasse uma lei onde qualquer mídia jornalística, seja obrigada a pagar uma multa de R$ 5.000, caso incite contra os direitos morais ou discrimine qualquer indivíduo, ultrapassando a barreira da liberdade de expressão. Para tal processo ocorrer, antes deve ser feita cerca de 10 denúncias, através do disque denúncia,sobre essa possível infração.  Fazendo com que o papel jornalístico seja efetivo, consequentemente reduzindo o senso de normalidade atribuído a violência cotidiana.