Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

A socióloga contemporânea Hannah Arendt afirmava que os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido  corriqueiramente, gerando uma certa passividade social diante de determinada situação. Nessa perspectiva, é possível entender a mídia como o principal agente para a veiculação de informações. Dessa forma, entende-se que a espetacularização da violência pela mídia no Brasil gera diversas problemáticas para o país tais quais a normalização de ações violentas e o consequente desenvolvimento de indivíduos agressivos.

Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu a busca por mais audiência no meio jornalístico gera a necessidade de notícias escritas da forma mais chamativa possível, independente do conteúdo. Desse modo, pode-se  perceber que mesmo as matérias que retratam questões de violência são feitas com a intenção maior de chamar atenção, e não de informar, gerando quase que uma banalização da violência. Nessa conjuntura, entende-se que tal forma de fazer notícia acarreta na normalização da violência pela sociedade.

Ademais, a espetacularização da violência também pode gerar indivíduos mais agressivos, como pode ser percebido nos estudos do sociólogo Émile Durkheim, os quais afirmavam que os indivíduos podem ser arrastados a algum comportamento devido a ideias externas, mesmo que não queiram. Além disso, pesquisas afirmam que as chances de uma criança se tornar agressiva crescem 9% a cada hora em que ela passa em frente à televisão,. Dessa maneira, entende-se que uma mídia a qual aborda a violência com normalidade tende a formar uma sociedade com pessoas mais agressivas e violentas.

Infere-se, portanto, que a espetacularização da violência pela mídia pode gerar graves problemas para o país, tais quais a normalização da violência e o desenvolvimento de pessoas agressivas. Desse modo, com o objetivo de garantir uma menor banalização da violência, é necessário que o Governo Federal, aliado ao Ministério da Comunicação, contenha o excesso de exposição de notícias que abordam atos de brutalidade, por meio de políticas que estabeleçam limites para a disseminação de vídeos e imagens de violência em canais abertos. Outrossim, visando ao menor acesso de crianças e adolescentes à notícias e vídeos com conteúdo violento, o Ministério da Comunicação, por intermédio das plataformas digitais, deve elaborar a criação de filtros de conteúdo para o controle de exibição de tais tipos de vídeos e notícias.