Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na Roma antiga, o Coliseu que nos dias atuais é considerado uma das maravilhas do mundo, já foi um palco de entretenimento onde a violência explícita era bem mostrada, porém os cidadãos romanos tratavam como uma diversão, normalizando as agressões. É notório que programas de violência explícita agem de forma igual, mostrando aos expectadores um lado violento e tratando de forma normal sem saber dos possíveis problemas que podem gerar, com isso se cria a ideia de espetacularização da violência pela mídia brasileira, onde seus principais problemas seriam a banalização da morte e os efeitos psicológicos que imagens explícitas e violentas podem gerar.
Em primeiro plano devemos falar o conceito de “espetacularização”, que seria basicamente criar um palco de “show”, relacionando essas ideias, programas policiais tem como criar um palco sobre as mortes de pessoas e de forma irresponsável banalizando a morte. Hannah Arendt, filósofa contemporânea diz que o indivíduo tende a banalizar o mal difundido corriqueiramente, gerando uma passividade social, com isso podemos afirmar que programas polícias fazem algo parecido com a Roma Antiga, criando um palco para mostrar cenas duras, explícitas e desnecessárias, sem se importarem com as pessoas envolvidas.
Outro fator importante, seria os efeitos psicológicos que as imagens explícitas podem gerar efeitos psicológicos, não é de se negar que programas policiais são extremamente violentos e não respeitam as pessoas que assistem, as imagens mostradas no programa podem gerar traumas indiretos que impacta diretamente a sociedade. Ademais, Bruce Shapiro, diretor- executivo do Dart Center for Journalism and Trauma diz que notícias podem causar sofrimento e danos psicológicos, assim podemos inferir que notícias de uma exarcebada violência podem gerar danos possivelmente irreparáveis ao consumidor desse conteúdo.
Fica claro, dessa forma, que para reverter essa problemática cabe ao Governo Federal por intermédio do Ministério da Comunicação evitar a exploração de imagens explícitas e que contenham violência exarcebada com a criação de um projeto de lei que regulamente limites para essa exposição. Ademais, para reverter a segunda problemática cabe a instituições de mídia privada como o Twitter e Instagram, criarem uma política na qual não mostrem imagens ou cenas que explicitem violência exarcebada, assim diminuindo o impacto que pode gerar aos seus expectadores.