Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na Roma Antiga, o Coliseu era palco de entretenimento, no qual o espetáculo era a violência explícita aos cidadãos romanos, que alimentados pela política do “Pão e Circo”, transformavam as agressões em divertimentos. Não obstante, nas duas últimas décadas no Brasil, o aumento dos episódios de violência fez com que o noticiário mudasse dos seus tradicionais redutos e ganhasse destaque em todos os meios de comunicação, expandindo assim, a espetacularização da violência pela mídia brasileira, do mesmo cunho feito na Roma Antiga. Desse modo, sua intensificação conduziu ao agravamento de problemas com graves consequências, como a normalização da violência, além da banalização da morte, requerendo providências para combater os efeitos dessa prática.
Deve-se pontuar, de início, que com o largo índice de violência abordado diariamente pela mídia, sua espetacularização vem sendo apresentando com normalidade, como algo rotineiro e comum, fazendo com que a sociedade se acostume, naturalizando de certa forma a violência. Tal conjuntura amplia a visão filosófica de Hannah Arendt, na qual os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido corriqueiramente, gerando passividade social. Logo, fica notório que a violência acaba aparecendo em todos os programas jornalísticos, onde cada vez mais a mídia faz proveito do ódio e da ira presente na sociedade, para “show” a ser assistido pelo público e não para a reivindicação desses.
Por conseguinte, cenas de reportagens demasiadas expositivas e insensíveis contribuem para a banalização da morte chegando a conclusão que a vida parece ter menos valor a cada dia. Cenas como essas são comuns nos programas como Cidade 190, na TV Cidade Fortaleza, no qual o programa, que ocupa a grade horária do meio dia, em 2014, foi multado pelo Ministério das Comunicações por exibir, durante 20 minutos, cenas do estupro de uma criança. Observa-se assim, que a mídia usa a violência e a degradação moral como um espetáculo, visto que é o que mais gera audiência, consequentemente ganhando fama e dinheiro por cima dos seus péssimos atos.
Evidencia-se, portanto, que a espetacularização da violência pelas mídias é um mau social a ser superado. Dessa forma, o Governo através de instituições responsáveis pela formação de indivíduos, incentivem o senso crítico do corpo social, mediante palestra e atividade lúdicas que enalteçam o questionamento, de modo a ampliar a visão dos cuidadões diante do fato que a violência mostrada pela mídia não é algo para ser normalizado. Por fim, cabe ao Ministério da Comunicação conter o excesso da exibição de notícias que exploram condutas de brutalidade, por intermédio da criação de uma lei ou intensificação de uma já existente, a qual estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de extrema violência em canais abertos, impedindo a banalização de morte.