Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 21/09/2020
Com a instituição da Pax Romana, Roma sofreu com a crise escravista, uma vez que os escravos eram a base da sua economia, com isso os cidadãos poderiam rebelar-se contra o governo, em virtude disso, os governantes criaram a política do Pão e Circo, na qual os o Estado ofertavam espetáculos e alimentos gratuitamente a fim de alienar a população sobre os entraves enfrentados. Esse cenário pode ser compreendido como análogo à espetacularização da violência pela mídia hodierna, a qual decorre do interesse humano por cenas violentas e a busca da midiática por telespectadores. Assim, sendo intensificado pela alta rentabilidade da cultura de massas aliada à alienação social, a qual promove a manutenção das hierarquias socioeconômicas elitistas.
Primeiramente, vale ressaltar a alta lucratividade promovida pela produção da cultura de massas, por meio da transformação de crimes em entretenimento. Isso ocorre devido ao anseio popular pelas tragédias, aliado à busca da mídia por audiência, assim essa investe em programas que apresentam notícias trágicas à medida que os telespectadores mantêm-se consomem o conteúdo apelativo. Um exemplo disso, são as lutas de gladiadores romanos, nas quais os indivíduos saíam dilacerados ou mortos, no entanto, os espectadores ficavam cada vez mais eufóricos com a intensificação da violência, desse modo, demonstra-se o apreço humano por cenas violentas desde a antiguidade.
Ademais, nota-se a manutenção das hierarquias socioeconômicas pelos grupos dominantes, por meio da alienação popular, derivada da exposição à matérias de cunho violento nos meios de comunicação. Isso decorre da imposição de uma sensação de insegurança coletiva, a qual gera uma sociedade receosa, que não crê no poder judiciário, com isso ela buscará adquirir itens e serviços de segurança, os quais, geralmente, são produzidos pelas elites econômicas, assim promovendo um ciclo no qual a classe dominante obtém vantagens e lucro.
Portanto, vê-se a alta lucratividade gerada pela espetacularização da violência, aliada à manutenção das hierarquias socioeconomicas por meio da alienação e o interesse dos espectadores pela tragédia, promovendo a continuidade daquela. Diante disso, torna-se imprescindível que o Ministério da Comunicação crie o tratado Câmera sem Sangue, o qual proibirá a veiculação de notícias sobre crimes com riqueza em detalhes, para isso, o Ministério deverá desenvolver um programa de inteligência artificial que irá analisar todas as reportagens a fim de evitar a desobediência ao código. Assim, ocorrerá a mitigação da espetacularização de tragédias, além de evitar a manutenção das elites nacionais, com isso evitando a ocorrência de uma população alienada como a romana.