Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na Roma Antiga, o Coliseu, símbolo do Império Romano, era instrumento de entretenimento, no qual a população, alimentada pela “política do pão e circo”, se divertia ao assistir aos combates de gladiadores. Não diferente dessa época, no Brasil contemporâneo, é cada vez mais comum a violência ser espetacularizada, tendo como principal palco a mídia, visto que, atualmente, 57% de todos os programas de TV contém violência, incluindo programas infantis, de acordo com o Estudo Nacional de Violência na TV. Dessa forma, fica claro que essa espetacularização pode trazer sérias consequências, como a banalização da morte e a grande influência sobre os telespectadores, contribuindo para o desenvolvimento de indivíduos agressivos, e, por isso, deve ser reduzida ou acabada.
A espetacularização da violência começou quando essas notícias passaram a ser utilizadas pelos meios de comunicação como uma forma de transformar a realidade em algo imagético para satisfazer uma sociedade capitalista, moldando o público a fim de que ajam da forma que esperam. Pode-se juntar a isso a citação da filósofa Hannah Arendt: “Os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido corriqueiramente, gerando passividade social”, ou seja, quando as pessoas estão acostumadas com tais acontecimentos, tendem a parar de dar importância. Isso também ocorre com a violência, portanto, o excesso de notícias desse tipo, acompanhadas de imagens e vídeos ajudam na banalização da morte e da agressão, tornando-as algo “normal” para a sociedade atual.
Além disso, outra consequência trazida é a influência sobre indivíduos, tornando-os mais agressivos e intolerantes à situações da vida. Uma prova dessa relação de causa e efeito relacionada a violência é o livro “Sapiens: A história da humanidade”, que fala sobre a facilidade de adaptação do homem para sua sobrevivência, dessa forma, podendo evoluir. Ou seja, um indivíduo que assiste à essa exposição todos os dias fica mais apto a segui-la em seu dia a dia, agindo com violência. Junto a isso, a autoridade máxima de saúde pública dos Estados Unidos “Surgeon General” afirma que a violência na televisão realmente tem efeitos adversos em alguns membros da sociedade.
Sabendo disso, é necessário que medidas sejam tomadas para que haja a diminuição dessa superexposição. Para começar, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Comunicação, conter a exposição dessas informações com a criação de um marco regulatório da televisão, visando limitar essas notícias para que não haja a banalização desses atos e para que comecem a ser vistos de forma mais sensível. Ademais, também é dever do Governo Federal, em conjunto com instituições de ensino, promover palestras e debates sobre a importância de agir de maneira pacífica e respeitosa, finalizando reduzir o número de pessoas violentas, e, consequentemente, a violência em geral.