Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na Roma antiga, o Coliseu era um palco de entretenimento e obviamente violento. Desta forma, os cidadãos romanos, sob o controle da política “Pão e Circo”, regulamentaram a agressão, que rapidamente se tornou um verdadeiro problema urbano: a violência. Porém, o avanço das mídias sociais expandiu muito a sociedade de vidros do Império Romano, pois o espetáculo de violência exposto nesses veículos distorceu a evolução humana e o desenvolvimento do tempo. Ao mesmo tempo, o individualismo generalizado na prática do jornalismo e a naturalização da violência por grupos sociais estão estimulando todos os aspectos dessa situação.
Em primeiro lugar, é preciso destacar que as idéias sensacionalistas dos jornais brasileiros partem de atitudes pessoais, pois sua atuação valoriza interesses particulares. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade líquida”, as relações do mundo contemporâneo são fragilizadas porque os indivíduos colocam o desenvolvimento pessoal acima da ação coletiva. Sob esse preconceito, o objetivo da empresa jornalística não é apenas permitir que o público entenda a situação em tempo real, mas também se antecipar à concorrência e garantir a maior audiência, o que tornará a publicidade mais lucrativa.
Desta forma, a “sociedade do espetáculo” alimenta as notícias sensacionalistas, porque as consomem sem reflexão prévia e como forma de entretenimento, tal como acontecia na Roma Antiga. Nesse sentido, persiste um ciclo intermitente: as pessoas aceitam e consomem a violência exposta, então a mídia continua criando “performances”.
Portanto, pode-se inferir que o exagero da violência na mídia é um mal social a ser superado. Para tanto, o legislador deve aprovar leis especiais para limitar a divulgação das notícias, que impõem multas às empresas de mídia que ameacem a dignidade das pessoas envolvidas em qualquer situação de violência ou fragilidade, a fim de estabelecer um jornalismo transparente e beneficiar o coletivo. Portanto, a mídia social não será um espetáculo como o antigo estádio romano.