Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/09/2020

A obra “Eichmann em Jerusalém”, criada pela filósofa Hanna Arendt apresenta um conceito chamado Banalização do mal, que é a tendência dos indivíduos de banalizar o mal difundido corriqueiramente, gerando passividade social. Idealizado na época em que era pregada a ideologia nazifascista, ainda é um conceito que se encaixa em contextos recentes, como a espetacularização da violência pela mídia, que aumenta a cada vez mais no Brasil. Assim, levando em conta o contexto que banaliza a violência e o mal, é importante ressaltar que essa prática ocasiona consequências negativas, como a naturalização da violência e efeitos psicológicos nos consumidores de notícias.

O caso Eloá, de uma adolescente sequestrada pelo ex-namorado, ganhou muita repercussão devido à atenção da mídia. Entretanto, o tratamento dado pela imprensa foi de banalização e desrespeito ao contexto de tensão e violência vivido pela vítima, visto que o caso foi acompanhado por equipes de filmagem enquanto durava, deixando nítido o sofrimento da garota. Dessa forma, quanto maior a exposição da violência pela mídia, ocorre a naturalização e aceitação dessa, visto a integração na rotina como algo normal, mais um caso em meio a outros.

Além da banalização da violência, o surgimento de efeitos psicológicos negativos é outra consequência da espetacularização da violência pela mídia. De acordo com o raciocínio da Teoria da Aprendizagem Social, idealizada pelo psicólogo Albert Bandura, que postula que podemos aprender certos comportamentos através da aprendizagem indireta executada por terceiros; o indivíduo que tem contato com mídias violentas pode desenvolver atitudes do mesmo tipo ou gatilhos emocionais relacionados à assuntos violentos, devido à alta exposição a notícias desse tipo.

Portanto, diante dos argumentos apresentados, fica evidente a necessidade de medidas que amenizem a espetacularização da violência pela mídia brasileira. Para isso, é preciso que o Governo Federal, por meio do Ministério da Comunicação, imponha limites à exposição de notícias agressivas, para que a violência não seja banalizada, se tornando uma notícia rotineira. Além disso, é preciso que, pelo mesmo órgão, sejam criados meios capazes de filtrar conteúdos, para que o impacto psicológico nos espectadores não seja tão negativo.