Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Durante a Antiguidade Clássica, havia uma espetacularização da violência por meio de disputas entre os gladiadores romanos no Coliseu. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo percebe-se um processo similar, com a midiatização constante de atos violentos. Essa situação é consequência da falta de preocupação social da mídia com o público e a negligência desse setor com os funcionários da área audiovisual, que estão na linha de frente desse foco de violência. Por conseguinte, essa estrutura gera problemas sociais como o estímulo a tais atos bárbaros e problemas emocionais por parte das pessoas que trabalham na esfera midiática.
Conforme Francis Bacon, as atitudes humanas são copiosas. Sob essa perspectiva, fica evidente o caráter influenciável da população, a qual é refém de cenas de extrema violência todos os dias, naturalizando essa problemática. Dessa forma, situações como o atentado de Suzano revelam esse fator, uma vez que os criminosos responsáveis pela tragédia além de terem inspirações em outros episódios de chacina, tiveram o apoio virtual de diversos usuários nos “blog chans”. Nessa conjuntura, percebe-se o erro da mídia de dar destaque excessivo para o caso e identificar os assassinos, uma vez que um ano após o ataque, o túmulo de um dos assassino recebe visitas de admiradores, segundo a BBC News. Nesse contexto, fica evidente o processo de estímulo a violência com tal espetacularização.
Além disso, outro elemento que gera tal situação é a negligência do setor midiático com os funcionários da esfera audiovisual, como os repórteres, jornalistas e editores. Essa camada é a mais prejudicada uma vez que são os primeiros a terem contato com essa circunstância, os quais podem desenvolver problemas mentais pelo contato presencial com tais cenas fortes. A título de exemplo, 94,3% dos jornalistas relataram estresse, ansiedade, depressão no começo de 2020, sendo associado a constante violência pública, consoante uma pesquisa do Sindicato dos Jornalistas Profissional do Distrito Federal. Dessa forma, fica evidente o processo descrito pela teoria da Indústria Cultural da Escola de Frankfurt, a qual considera os meios midiáticos como preocupados exclusivamente em ampliar seu império de domínio da massa, desprezando as causas sociais em sua totalidade.
Infere-se, pois que o Ministério de Ciência e Tecnologias deve criar um conselho de fiscalização, formado por especialistas na área de comunicação não violenta, com o objetivo de fazer uma intervenção mínima nos meios midiáticos, para adaptar as matérias e reportagens a fim de não gerar mais violência no Brasil. Além disso, o Ministério da Cidadania com a Federação Nacional dos Jornalistas devem realizar um programa de acompanhamento psicológico dos profissionais com o objetivo de reduzir as mazelas emocionais desse problema.