Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/09/2020

Historicamente, a mídia se reinventa a ponto de, na contemporaneidade, as notícias sobre violência se tornarem prioridade. Essa superexposição de atos graves, entretanto, haja vista sua espetacularização,  estabelece uma série de consequências para a sociedade brasileira e envolvem o sensacionalismo e a desvalorização da notícia. Desse modo, são prementes discussões sobre a apresentação das notícias pela mídia do Brasil, a fim de evitar a banalização das atrocidades.

Nesse contexto, o filme “Cidade de Deus” retrata Buscapé, um aspirante a fotógrafo que vende fotos de crimes para a imprensa e provoca uma guerra na favela carioca, em que muitos inocentes são vítimas do fogo cruzado entre as gangues. Transcendendo a tela do cinema, a obra demonstra, com maestria, o quão graves são os efeitos da exposição da violência para a sociedade. Nesse sentido, a película mostra como o tratamento dado a esse tipo de notícia faz com que elas choquem mais e noticiem menos. Sob esse prisma, as fotos se tornam mais importantes do que os fatos, fomentando a cultura do sensacionalismo. Posto isso, é indubitável que esse tipo de exposição tem o intuito de buscar audiência e transpor a verdade em detrimento da relevância dos acontecimentos, acarretando mais impactos negativos sobre o corpo social.

Nessa mesma perspectiva, o ator Denzel Washington, em uma das suas entrevistas, afirmou que quem não vê notícias está desinformado e quem as vê está mal informado. Sob essa ótica, é evidente que, ao buscar um imediatismo em apresentar as notícias, a mídia se torna seu principal inimigo. Com efeito, a prioridade dada à velocidade de divulgação e não à informação, torna o julgamento do fato duvidoso, na medida em que a veracidade da notícia pode ser comprometida, pois objetiva apenas atrair as pessoas, e não as informarem. Ademais, existe o risco de que a profusão dessas imagens anule a sensibilidade diante do sofrimento humano, banalizando-o. Por conseguinte, é inegável que o imediatismo requerido pela mídia promove a espetacularização da violência e forma uma base de notícias inverídicas ou mal retratadas, com o fito de ganhar mais audiência.

Diante dos fatos supracitados, depreende-se que os impactos da superexposição da violência na mídia pode revelar o sensacionalismo e a desvalorização da notícia. Logo, faz-se imperioso que a Secretaria Especial da Cultura promova debates online por meio da apresentação de vídeos e lives sobre a importância de mostrar os fatos como eles realmente são, sem uma espetacularização do assunto, com o objetivo de mostrar que jornalismo ainda é informação e deve se ater a tornar-se exemplo para as próximas gerações. Dessa forma, poderá haver uma sociedade com cidadãos mais críticos, éticos e pensantes.