Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na Antiguidade, o Império Romano tinha como forte componente cultural a exibição de lutas entre gladiadores em anfiteatros, onde o entretenimento da população se dava por meio de batalhas brutais entre pessoas, incentivado pelo Estado e pela elite da época. De forma similar, a mídia brasileira apresenta como característica marcante a espetacularização da violência, tendo consequências como a banalização da vida e o aumento da discriminação social.
O conceito de Indústria Cultural, desenvolvido pelos sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkhemeier, propõe que a arte e os meios de comunicação impactam diretamente no comportamento dos consumidores, estabelecendo uma influência em massa. Dessa forma, a mídia brasileira, ao bombardear a população com notícias de crimes violentos, muitas vezes transmitidas em programas policiais com teor humorístico, gera nos telespectadores uma crença de que a violência é algo comum e inerente ao país e até mesmo uma forma de lazer. Com isso, cria-se um cenário de falta de empatia e de banalização à vida e ao bem-estar humano, sintoma típico de uma sociedade doente.
Além disso, outro resultado negativo da espetacularização da violência pelos meios de comunicação é a elevação do nível de discriminação social no país. Isso pode ser constatado pelo crescente número de ocupações militares em regiões periféricas dos centros urbanos, local tido como principal palco para os espetáculos de violência midiáticos, enquanto que os moradores de condomínios de luxo são os espectadores. Logo, estimula-se a divisão social da população e favorece-se o aumento do preconceito social contra moradores de áreas mais pobres, vítimas dos casos de violência transformados em espetáculos, algo inadmissível para o desenvolvimento social do país.
Nesse contexto, pode-se destacar a banalização da vida e o aumento da discriminação social como duas das principais consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Para que esse quadro se reverta, é preciso que o Ministério da Cidadania, em parceria do Ministério dos Direitos Humanos, promova a conscientização da população quanto aos casos de violência no país, por meio de campanhas em redes sociais e em meios televisivos, com o objetivo de evidenciar o valor da vida humana. Ademais, o Ministério da Educação deve viabilizar palestras em escolas públicas e particulares de pessoas vítimas da violência tido como rotineira pela população, visando estabelecer uma empatia nos estudantes e diminuir a discriminação social existente.