Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

Na Roma Antiga, os Coliseus funcionavam como principal fonte de entretenimento da população romana, apresentando nada menos que lutas até a morte, entre escravos ou guerreiros, em uma grande arena. Nesse contexto as lutas junto a morte, eram a representação de um grande espetáculo, além disso, a violência era comum. Contudo, o império não existe mais, em um mundo repleto por democracias, a morte e a violência devem ser abominadas, e a espetacularização dessas em meios jornalísticos, especialmente no Brasil, faz descumprir a principal função da mídia em divulgar informações, desenvolvendo indivíduos agressivos, além disso, existe a banalização da morte.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que no Brasil, programas de TV, a exemplo do Brasil Urgente acompanham operações polícias ao vivo, desse modo expondo a violência para qualquer um que tenha acesso ao dispositivo televiso. Ademais, foi confirmada em uma pesquisa feita por Jeffrey Johnson e colaboradores da Universidade Columbia, que a prática de exposição descrita a cima desenvolve comportamento agressivo dos telespectadores. A partir disso, é possível inferir que, não só adultos, mas também crianças com acesso direto a esse tipo de programas, estão sujeitos a desenvolverem-se como indivíduos problemáticos.

Outrossim, no Brasil, a banalização da violência pode ser vista nos discursos do próprio representante do executivo, muitas vezes o presidente Jair Bolsonaro, já aplicou em seus discursos a fala “bandido bom é bandido morto”. Apesar de uma citação, a frase do presidente da república representa o pensamento da maior parte da população do país, reforçado pela mídia, já que a existência de uma grande rede de informações permite a divulgação excessiva de violência, consequente da enorme audiência gerada, que provoca a banalização da mesma.

Infere-se, portanto, que a existência de uma sociedade desenvolvida e resultado de séculos de pesquisas não pode se deixar ultrapassar pelo comportamento violento da Roma Antiga. Para tanto, o Ministério da Justiça, por intermédio do Congresso Nacional, deve promover uma lei que proíba a retratação de cenas violentas sem aviso prévio e conscientização do telespectador, a fim de manter a sanidade desse. Além disso, a Secretaria de comunicações deve promover propagandas de conscientização e valorização a vida, majoritariamente voltada para menores de idade.