Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/09/2020
Na grade de programação da TV brasileira, são frequentes os programas como “Polícia 24h” e outros que exploram violência e perseguições de criminosos. Assim, o medo é um tema constante na mídia, que o usa para lucrar e controlar seus espectadores. Dessa forma, a barbárie é utilizada com fins econômicos e eleitorais, o que resulta na sua naturalização pela população.
Inicialmente, cabe destacar que a mídia é um dos setores que se capitalizam em cima do sentimento de insegurança, recebendo verbas de publicidade e beneficiando empresas de segurança privada, de seguros, de armas, de condomínios fechados, etc. Nesse sentido, conforme previu Marx, no sistema capitalista, tudo vira mercadoria. Além disso, é comum lideranças políticas demagogas popularizarem-se ao defender o combate rigoroso ao crime. Dessa maneira, ao incutir terror na população, gera-se a demanda por segurança.
Adicionalmente, menciona-se que a cobertura ostensiva de situações violentas ocasiona a sua banalização. Nesse sentido, de acordo com a jornalista Hannah Arendt, o público dessensibiliza-se e acostuma-se com situação de agressões e mortes. Desse modo, brigas, linchamentos e justiçamentos se tornam comuns pois a população se habitua à selvageria. Ademais, como efeito secundário, julgamentos penais perdem a imparcialidade, pois o júri e até mesmo o juiz podem ser influenciados pela vinculação de notícias sobre o crime nos meios de comunicação.
Diante do exposto, percebe-se os efeitos nefastos da espetacularização da violência pela mídia. Portanto, para dirimi-los, faz-se mister desincentivar a veiculação desse tipo de conteúdo. Nesse viés, o Ministério das Comunicações deve atuar conjuntamente com as grandes companhias televisivas e jornalísticas por meio do financiamento e patrocínio direcionado para programação educativa e não alienante. Destarte, a mídia consolidar-se-á como instrumento de transmissão de conhecimento e entretenimento saudável, e não como ferramenta sensacionalista.