Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 23/09/2020
Na Idade Antiga, em meio ao apogeu do Império Romano, o Coliseu, local destinado a práticas violentas, foi o principal mecanismo da Política do Pão e Circo. Enquanto na Antiguidade Clássica os motivas eram políticos, na contemporaneidade, essa espetacularização da violência é utilizada pela mídia a fim de atrair um público maior. Assim, a precária empatia aos envolvidos nas notícias está intrínseca no jornalismo brasileiro, haja vista que há uma tentativa de gerar mais engajamento das massas. Ademais, o jornalismo desvirtua-se quanto a sua função de relatar a verdade, uma vez que há a utilização do sensacionalismo na cobertura tocante ao exercício da profissão.
A Indústria Cultural, conceito modernista idealizado por Max Horkheimer, se baseia na maior propagação de notícias por meio da massificação das opiniões. De maneira semelhante, a mídia utiliza de artifícios duvidosos, como a espetacularização de assuntos violentos, a fim de alcançar um maior número de indivíduos. Desse modo, a imprensa, numa tentativa de ampliação do seu público, acaba por se abster de empatia, haja vista que o estado psicológico dos envolvidos nas reportagens não é levado em consideração. A título de exemplo, um caso de aborto envolvendo uma criança foi amplamente noticiado pelos principais jornais. Tal divulgação ocasionou uma série de manifestações, o que, assim como ocorre em muitos casos, afetou o estado emocional da vítima.
Além disso, o descompromisso com a verdade, consequência da espetacularização de assuntos relacionados à violência, é uma característica dos jornais tradicionais. A priori, é notório o imediatismo intrínseco nesse meio de comunicação, uma vez que esse é um mecanismo utilizado para competir com as notícias provenientes das redes sociais. A posteriori, o sensacionalismo do que é noticiado na mídia deslegitima o compromisso com a verdade que deveria ser atribuído aos jornais. A fim de exemplificar tal situação, o influenciador digital Felipe Neto, em Agosto de 2020, foi afetado com discursos, propagados por meios de comunicação, que associavam o nome do famoso com suspeitas de violência infantil, situação que exemplifica a falta de transparência dos jornais.
Nessa conjuntura, urge, portanto, que o Ministério do Desenvolvimento Regional por intermédio das secretarias estaduais promova campanhas nas redes sociais, a fim de fomentar uma cultura de empatia. Desse modo, o efeito dessa medida é sanar os danos psicológicos causados pela mídia no que tange a abordagem excessiva da violência Ademais, é mister que o Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, organize propagandas televisivas a fim de promover não só a checagem de fontes, como também o hábito de analisar fatos a partir de mais de um meio de comunicação. Assim, essa ação pretende resultar na diminuição da desinformação ligada a atos violentos.