Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

A Sociedade do Espetáculo é uma tese criada pelo escritor francês Guy Debord, que explica a ligação entre as imagens e as relações interpessoais. Nesse sentido, Debord afirma que o espetáculo é o conjunto das relações sociais interpostas pelas imagens, sendo essas intimamente ligadas ao marketing e ao consumo de mercadorias. Logo, é possível inferir que essa mercantilização das imagens está presente, principalmente, na mídia, meio no qual essa lógica origina várias consequências negativas, como a espetacularização da violência. Assim, esse fenômeno, característico do jornalismo brasileiro, causa a banalização da violência e promove a divulgação de notícias falsas.

Em primeiro plano, é necessário entender que a banalização de atos violentos é gerada pela tendência midiática de lucrar com tragédias, tornando-as, sempre que possível, em algo rotineiro e  extravagante. Nesse contexto, muitas produções policiais e criminais surgiram nos últimos anos, haja vista o programa Cidade Alerta, exibido na televisão aberta e que transformou a violência em entretenimento para as massas. Desse modo, há uma normalização de acontecimentos dessa natureza, o que contribui para o aumento desses casos.

Além disso, a urgência com a qual esse tipo de informação é, geralmente, relatada ao espectador propicia a divulgação de inverdades. Então, essas informações equivocadas, por sua vez, causam mais prejuízos, como no evento do linchamento de uma mulher no estado de São Paulo, por ter sido confundida com uma sequestradora pela população local. Dessa forma, o imediatismo e o sensacionalismo, presentes no jornalismo dessa natureza, são extremamente nocivos à sociedade.

Portanto, é preciso que o Conselho Federal dos Jornalistas repreenda atitudes como essas, punindo profissionais que adotem esse tipo de jornalismo e estabelecendo que é antiético expor essas ocorrências explicitamente, com o objetivo de desencorajar essa prática. Ademais, é importante que o Ministério da Educação, por meio das secretarias estaduais e municipais de educação, promova palestras e campanhas informativas nas escolas acerca dessa problemática, visando conscientizar estudantes e, por conseguinte, atenuar essa situação.