Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

Em “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, ele descreveu em um capítulo a violência na periferia do Rio de Janeiro, que afetou o clima caótico da cidade. Fora das páginas e no contexto atual, podemos ver que o número de casos de violência nas grandes cidades do Brasil está aumentando. Diante disso, fica claro que a espetacularização da violência na mídia brasileira é um problema com graves consequências, como o desenvolvimento de indivíduos mais agressivos e a banalização da morte. Portanto, medidas devem ser tomadas para eliminar os efeitos nocivos dessa prática nas pessoas.

Em primeiro lugar, de acordo com a pesquisa publicada pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão pode levar ao desenvolvimento de comportamentos agressivos, por conta delas apresentarem um baixo juízo de valor, e absorverem grande parte das informações que lhe são apresentadas. Portanto, fica claro que a notícia que usa a crueldade em troca de seu público causa toxicidade à juventude, afetando o futuro do Brasil, porque eles crescem em uma visão de mundo negativa. Segundo o pesquisador David Buckingham, os pais devem escolher o conteúdo de seus filhos, mas o governo também precisa tomar medidas para combater esse fato.

Além disso, segundo o repórter “Reinaldo Azevedo” , na coluna da “Revista Veja”, a vida humana parece ter pouco valor todos os dias, não há dúvida de que a grande mídia vai cooperar para esse fim, pois com filmes cada vez mais violentos somados a reportagens demasiadas expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte. Por exemplo, em 2010 houve uma operação policial no complexo do Alemão, o canal de notícias só transmitia notícias ao vivo para a polícia que tinha como alvo os traficantes, ou seja, essa imagem do dia a dia. A insensibilidade e a indiferença pelo sofrimento dos outros conduzem ao crescimento da violência. É necessário, portanto, que o Estado atue para mudar esse cenário. Então, cabe ao governo federal mediante ao Ministério da Propaganda proteger os jovens e as crianças, por meio de palestras e anúncios as quais conscientizem os pais a terem maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles a violência.

Além disso, cabe ao governo federal por meio do Ministério da Comunicação conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.