Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

O caso surpreendente de Eliza Samúdio, conhecido pela sua crueldade e por ser cometido por um famoso jogador de futebol, é a “reportagem completa” das notícias de 2010. Embora o violento caso já chamasse a atenção por si só, a televisão necessitava espetacularizar o caso, como vem acontecendo há muito tempo no Brasil. Com isso, esse tipo de espetáculo midiático se tornou um problema em sua intervenção no campo jurídico e social, dando as pessoas a sensação de impunidade, levando-as a buscarem justiça por conta própria.

Durante a revisão do referido caso, a Rede Globo de Televisão, em seu programa denominado “Fantástico”, apresentou depoimento muito importante na investigação do desaparecimento de Eliza Samúdio antes de ser incluído na própria investigação. Essa postura da mídia brasileira mostra claramente a intervenção nos processos judiciais, fruto da dinâmica capitalista, que transforma informação em produto e melhora a competitividade de diferentes emissoras de TV, como exposto na lógica do pensamento de Adorno e Horkheimer no seu conceito de “Indústria Cultural”.

Além disso, diante da espetacularização dos crimes, a falta de regras faz com que as informações sejam manipuladas para torná-las chocantes e, portanto, mais atraentes para seus consumidores. Uma das estratégias adotadas é a cobrança de taxas judiciais excessivas em programas de notícias e, embora seja eficaz em seus objetivos, acaba criando uma perigosa sensação de impunidade para o público, que muitas vezes leva à precipitação de rebeldes que procuram cumprir o papel da justiça.

Tendo em vista os aspectos observados, é fundamental que sejam impostos limites à mídia diante do seu mercado de informações. Portanto, o governo federal mediante o Poder Legislativo, deve realizar a criação de leis mais rígidas que obriguem os veículos de notícias a não veicularem informações com o intuito da competitividade, para assim evitar casos como o citado. Outrossim, o governo federal por meio do Ministério da Educação deve criar projetos de conscientização do povo e das crianças, com o intuito de que seja reduzida a problemática da justiça com as próprias mãos. Assim será possível mudar a realidade da televisão brasileira e inverter as consequências do processo de espetacularização da violência.