Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

Na Roma Antiga, o Coliseu era algo apenas para o entretenimento, no qual o espetáculo era a violência exposta. Assim, os cidadãos, que eram alimentados pela política do “Pão e Circo”, acabavam normatizando as agressões e, transformavam em um divertimento o problema real da cidade: a violência. Não obstante, o avanço das mídias sociais ampliaram substancialmente a sociedade do espetáculo do Império Romano, posto que a espetacularização da violência exposta nesses veículos distorce a evolução e desenvolvimento temporal do homem. Nesse ínterim, o individualismo preponderante nas práticas jornalísticas, bem como a naturalização da violência pelo corpo social são aspectos motivadores desse cenário.

Para o sociólogo Karl Marx,a ideologia é uma agregação de ideias, muitas vezes, propagadas pelos meios de comunicação, com o objetivo de persuadir o interlocutor. Dessa maneira, fica explícito que esses veículos de informação, ao passo que espetaculariza a notícia,pode favorecer para o aumento dos preconceitos.

Isto posto, a sociedade naturaliza a violência exposta e, assim, perde a capacidade crítica diante de problemas reais. Tal conjuntura aumenta a visão filosófica de Hannah Arendt, na qual os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido corriqueiramente, gerando passividade social. Com isso, a “sociedade do espetáculo” alimenta o jornalismo sensacionalista, visto que consomem esses conteúdos sem um reflexão prévia e como forma de entretenimento, tal como corria na Roma Antiga. Nesse sentido, persiste um ciclo intermitente: o povo aceita e consome a violência exposta e, assim, a mídia continua produzindo o “espetáculo”.

Destarte, faz-se necessário que o Ministério da Propaganda proteja os jovens e as crianças, por meio de propagandas as quais conscientizem os pais a terem um maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles a violência. Além disso, o Ministério da Comunicação deve conter a exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.