Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/09/2020

Na Roma Antiga, o Coliseu era cenário de entretenimento, no qual a atração principal era a violência explícita. Dessa forma, a população romana, estimulados pela política do “Pão e Circo”, normalizavam as agressões, e logo, convertia em divertimento uma problemática real da cidade: a violência. De maneira análoga, na contemporaneidade, o desenvolvimento das plataformas digitais foram mecanismos essenciais para a espetacularização da violência na mídia brasileira e como os indivíduos buscam orientar-se e realizar escolhas influenciados pelos noticiários baseados nessa temática. Assim, vincula-se um sério desafio e com graves consequências, como a banalização da morte e a formação de indivíduos agressivos.

Vivemos temos líquidos, leves, como diria Bauman. No mundo líquido as relações sociais relutam em adquirir forma. A violência vem esvaindo toda possibilidade de uma vida digna. É inquestionável a colaboração da grande mídia para esse fato, pois com filmes extremamente violentos, reportagens demasiadas expositivas e insensíveis, junto com canais de notícia visando operações onde transmitem policiais violentando traficantes ao extremo, logo, esse tipo diário de imagem contribui para que os indivíduos se tornem mais insensíveis e indiferentes para o sofrimento alheio, acostumados ao ver as mesmas cenas de violência diariamente, acabam normalizando o sofrimento e com isso, contribuindo para a banalização da morte.

Outrossim, pelo fato de as mídias sociais estarem cada vez mais presentes na vida de crianças e adolescentes, junto com os jornais que geralmente são transmitidos para toda a família, é muito provável que os jovens absorvam as informações e imagens transmitidas, podendo reproduzir as ações igualmente, resultando em um comportamento violento, visto que esse público alvo encontra-se em processo de desenvolvimento e formação de uma personalidade que ainda não foi completamente construída. No entanto, a exposição de crianças à violência na televisão pode ocasionar no desenvolvimento de comportamento agressivo, principalmente, por conta delas apresentarem um baixo juízo de valor, ficando nítido a intenção negativa dos noticiários que abusam da brutalidade em troca de audiência, e como isso pode afetar o futuro da geração, uma vez que crescem com uma perspectiva negativa de mundo.

Em decorrência do que foi abordado acerca do assunto sobre as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira, é essencial que medidas sejam tomadas a fim de amenizar a problemática. Primeiramente, é essencial que o Estado atue para mudar esse cenário, iniciando medidas através do Ministério da Propaganda para proteger crianças e jovens, por meio de propagandas das quais conscientizem os responsáveis sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles à violência. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação conter o excesso da exposição de notícias que exploram atos de agressividade, estabelecendo limites para veiculação de conteúdo de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de evitar a banalização de morte.