Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 11/10/2020

A Revolução Industrial e a popularização da internet foram grandes eventos promotores de mudanças na rotina social do mundo. Consequentemente, os meios de informação também foram impactados com tais ondas de mudanças. Com isso, a guerra por espaço e consumo de conteúdo entre TV, jornais impressos, revistas, rádios e tabloides virtuais têm promovido desvios de qualidade e função destes meios em detrimento de interesses comerciais, com base no uso desenfreado de fatos violentos impactantes. Além disso, a ausência de uma fiscalização mais ferrenha por parte dos consumidores e dos meios regulares promovem a manutenção desse sistema.

Em primeira instância, a busca por destaque e maior consumo de seu conteúdo, ou seja, maior audiência, entre os meios de informação promoveu a imersão do cidadão consumidor em um mar perigoso, onde poucas ilhas de fidedignidade aos fatos relatados são confiáveis. Isso demonstra o desprezo com a função primeira de tais meios, que é a de informar e gerar pensamento crítico a respeito do conteúdo propagado ao seu público. Além disso, esse comportamento muitas vezes é pautado na banalização dos fatos violentos cotidianos, gerando um misto de emoções como medo, insegurança e revolta, contribuindo para uma ansiedade coletiva e fomento à prática da justiça pelas próprias mãos.

Nesse sentido, segundo dados da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, em 2016, 49% das pessoas se informavam pela internet. Isso demonstra que há uma tendência social ao consumo de noticiários de fácil acesso. Com isso, a densidade de impacto do fato noticiado foi a estratégia adaptativa que os meios de informação encontraram para se manterem no radar social em consonância com o ritmo cotidiano acelerado em que a sociedade vive atualmente. Tal mecanismo ancora-se neste fato para perpetuar-se devido a ausência, na maioria das vezes, do olhar fiscalizador da qualidade do conteúdo por quem o acessa.

Portanto, diante da estratégia dos meios de informação em se utilizarem de fatos violentos para alavancar destaque entre os seu pares, é notório a necessidade de estímulo à crítica do conteúdo e feedback por parte dos consumidores aos órgãos reguladores destes meios essenciais a sociedade. Tais órgãos devem promover campanhas de encorajamento do cidadão através de espaços na grade de conteúdo destes meios, demonstrando como realizar a denúncia e os canais para isto. Além disso, orientá-lo, enquanto público alvo, a praticar estratégias de checagem da informação e como filtrar aquelas que causam maior impacto emocional, menor informação e nenhum senso crítico-reflexivo.